Vira-lata
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SAMBA, UM CACHORRO MUITO INDEPENDENTE
Sílvia Parisi

    Quando eu tinha clínica, o meu vizinho americano possuia um lindo setter irlandês chamado Samba. Realmente, era um cão esperto. Além de poliglota, o Samba latia no portão quando queria sair. E lá ia ele sozinho dar a sua voltinha. Ele sempre parava no portão da minha clínica esperando por um aceno meu na volta de seu passeio.
    Um dia, lá vem o Daniel com o Samba.
- Doctora Silvia, o Samba não quer comer mais e está engordando.
    E lá vou eu. Examina, examina... Pensa...pensa.
- Bem Daniel, não encontro nada de errado com ele. Vamos deixá-lo em observação, caso você tenha certeza que ninguém está dando comida sem você saber, volte para fazermos alguns exames.
    A casa do Daniel era um entra e sai danado e, certamente, alguém estava dando comida para o Samba... Mas não. O Daniel se certificou que ninguém alimentava o cão e ele não estava comendo nada mesmo.
    Que enígma! O Samba sempre teve uma saúde invejável! O que estaria acontecendo? Não havia nenhum outro sinal clínico...
    Já estava me preparando para fazer um check up no meu amiguinho, quando chega o Daniel.
- Doctora Silvia, descobri!
    O Daniel começou a notar que o Samba latia sempre na hora do almoço e da janta pedindo para dar a sua costumeira voltinha. Um dia ele resolveu seguir o cão. SURPRESA! O Samba parou de frente a um restaurante do bairro e lá ficou até que um garçom saísse e lhe servisse um belo prato de sobras...
    Ficou assim esclarecido o segredo do Samba. Comer para ele só se fosse no restaurante...

Esta historia é verídica. Uma das muitas que presenciei e continuo presenciando. O Samba era um cão especial. Não precisava de ninguém, se virava muito bem. Era um setter com alma de vira-lata.
O Samba já tinha idade. Morreu pouco tempo depois de insuficiencia renal. Mas deixou saudade e a sua história eu vou sempre lembrar.




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UMA VETERINÁRIA EM APUROS
Sílvia Parisi

    Mike era um cãozinho mimado. Decididamente mimado. Ele era um poodle toy já velhinho e sua dona andava com ele de rostinho colado.
    Um dia a dona do Mike resolveu dar um banho nele em meu pet shop. Ela adentrou o salão de tosa , encostou o pobre do funcionário na parede e apontou o dedo para o nariz do coitado.
- Cuida bem do meu Mike, senão vai ter quando eu voltar!!!
    Segundo ela, o Mike tinha um problema na patinha porém, havia feito um tratamento e não estava mancando mais. Além da " cordial recomendação" feita ao funcionário, ela me pediu que supervisionasse pessoalmente o banho do Mike. E assim foi feito. Após o banho, costumavamos deixar os cães amarrados na sala de espera. E lá estava o Mike na minha frente. Limpinho, perfumado, quietinho esperando a sua dona voltar.
    Daí a pouco ouço a voz da proprietária que, subindo as escadas da clínica, bradava:
- MIIIIIke, a mamãe chegou!!!!
    Imediatamente, o lindo cãozinho recolheu a pata como se estivesse machucado e se encurucou no canto com cara de coitado. Eu não acreditava no que meu olhos estavam vendo. Depois de tanta recomendação... O que ela ia pensar...
- Mike, não faça isso comigo. Abaixa essa pata, dizia eu baixinho.
    Eu olhava a dona do Mike subindo as escada e via nela a minha executora. Só faltava o capuz...
    O que é que eu ia falar...
    Antes que ela pronunciasse qualquer palavra eu fui logo me explicando:
- Eu sei que a senhora não vai me acreditar, mas assim que o Mike ouviu a sua voz encolheu a patinha. Eu garanto que tratamos dele com cuidado e blá, blá , blá...
    Me preparei para ouvir a sentença de morte.
    Ela calmamente virou-se para mim e disse:
- Não é uma gracinha... ele faz assim mesmo, só para chamar a minha atenção...
Me senti uma idiota... Não sabia quem eu matava, a dona ou o Mike. Fiquei muda...e o Mike lá, me olhando com aquela cara de satisfação já de volta ao posto que lhe era de direito, o colinho da mamãe.
    O Mike foi embora e tenho a certeza que em seu pensamentos caninos deve ter rido à beça de mim.

Caso verídico! Esses cães...




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LAIKA, A ESCANDALOSA.
Sílvia Parisi

    A Laika é uma poodle muito bonita e simpática, mas tem um grave defeito: é escandalosa ao extremo e até já me colocou numa situação...
    Ela freqüentava a minha clinica todas as 2as feiras. Voltava da fazenda bem sujinha e ia direto tomar o seu banho. Mas toda a vez era a mesma ladainha: escândalo para deixar a dona, para tomar banho, para encontrar a dona. Longe da proprietária ela parecia muda...O escândalo era apenas para chamar a atenção.
    Uma vez tivemos que socorre-la em sua casa pois ficou presa atrás do bidê. Imaginem só a cena. E o drama que ela fez...
    Consegui um esposo para a Laika e, ao contrário do esperado , o acasalamento ocorreu silenciosamente. Acho que a Laika perdeu a "fala". Pura paixão...
    A gestação foi muito boa e acompanhada de perto. Mas a Laika tinha que dar uma das suas. Uma semana antes da data prevista para o parto ela foi para a fazenda e resolveu que era chegada a hora. Teve 5 lindos filhotes que por incrível que pareça nasceram bem, embora prematuros (teoricamente). Tudo estava indo muito bem, fui comunicada do parto num domingo a noite, mas de repente a dona me liga desesperada: a Laika começou a gritar e chorar sem parar. Essa não!! Não havia mais filhotes pois já sabíamos o numero exato que ela ia parir. Excesso de contrações para expulsar restos de placenta? Talvez. O pior: não havia nenhum veterinário naquela região que pudesse atendê-la.
    Bem, o jantar com a família do meu noivo teve que ser interrompido. A dona da Laika foi me pegar e lá fomos nos para a fazenda distante umas 2 horas de viagem.
    Chegando lá a surpresa!! De cara percebi que a Laika estava desesperada nada mais nada menos porque queria que todos os seus filhotes ficassem aconchegados em baixo de suas patinhas dianteiras. Ela queria "abraçar" a cria. Mas precisava de tanto escândalo? Foi uma situação cômica. Todos desesperados pensando a Laika estivesse passando mal, fosse morrer e a engraçadinha apenas aprontando mais um de suas famosas cenas. A pobre da dona não sabia como se desculpar.
    Mesmo assim, fiz um exame completo e o diagnóstico não poderia ser outro: frescurite aguda. Em caso de gritos e latidos desesperados o tratamento era simples e eficaz. Colocava-se os filhotes em baixo das suas patinhas dianteiras e estava resolvido o problema.
    A Laika ainda vive, está velhinha, muito conservada e continua a mesma...


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A LAIKA MINHA MASCOTE (IN MEMORIAN).
Celina Bessa

    Quando me formei fui trabalhar em uma Clínica. Nesse dia tinha sido operada a Laika (cesariana). Perdeu todos os filhotes e ficou internada 1 semana na Clínica. Todos os dias quando chegava, ia ver a Laika, fazia curativos e a soltava no pátio varias vezes durante o dia quando estava de Plantão. Finalmente ela teve alta e foi para sua casa. Não vi a Laika durante alguns meses.
    Um certo dia me aparece seu Dono trazendo-a pela coleira com uma barrigona. Lá foi a Laika para a mesa de cirurgia. Novamente perdeu os filhotes e ficou internada, Fiz a mesma coisa: Cuidei dela todos os dias. Ela foi embora no final do tratamento, e dessa vez quando saiu, foi até o portão escapou da mão do dono e voltou para perto de mim. Ele a pegou e saiu sem graça.
    Essa historia começou no inicio do ano e no final desse mesmo ano saí da Clínica para montar meu consultório. Passando mais de um ano, esse senhor passou pela porta do meu Consultório, que fica no mesmo bairro da Clínica. Me chamou para dizer que a Laika estava muito mal e sua esposa queria sacrifica-la pois já tinham gastado muito com ela. Eu pedi para traze-la que eu a trataria e ajudaria nas despesas.
    No dia seguinte chegou a Laika, quase irreconhecível. Pelo muito ralo , super magra. Quando chegou no portão e eu chamei ela entrou rápido e deitou nos meus pés. Fiquei conversando com seu dono e o convenci a me dar a cadela ao invés de sacrifica-la. Proposta aceita.
    Comecei a cuidar da Laika, nenhum medicamento especial , só vitaminas, comida e banho. Aos poucos estava gorda e com o pelo crescido, ficou muito bonita. Ela ficava solta pelo consultório e aos pouco já conhecia os clientes, sabia quando podia ficar na sala ou não. Tinha os clientes que ela já conhecia e ia recepcionar na porta. Tinha os que não gostava e se escondia.
    Certo dia tocaram a campainha. Ela estava deitada do meu lado levantou as orelhas em alerta e foi ao portão. Só vi a Laika entrar numa carreira só. Parecia que tinha visto assombração. Fui ao portão e lá estava seu ex-dono. Queria saber da Laika e a essa altura já tinha visto que estava linda. Pediu se eu não podia devolver pois tinha se mudado para uma casa maior e precisavam de uma vigia, as crianças eram pequenas e eles temiam levar um cão estranho. Chamei a Laika e ela não veio, pedi para ele chamar e nada. Ficou escondida debaixo da minha mesa. Tanto insisti que ela veio e sentou do meu lado.
    Mandei ele abrir o portão da rua e chamar. Se ela fosse ele podia levar. Ele chamou implorou e ela nada. No dia seguinte voltou com a esposa e a mesma cena. No outro voltou com 3 filhos pequenos, os meninos traziam pedaços de carne na mão, estavam todos satisfeitos porque iam levar a Laika . Não me abalei, mandei abrir o portão e chamar e a Laika continuou imóvel ao meu lado. Eles quiseram me tirar ela a força. As crianças choraram , um verdadeiro escândalo. Eu disse que ela só saia se fosse sozinha pelo portão, com coleira ninguém tirava ela . Fui dura e decidida, olhava para Laika e mais coragem tinha para desafia-los a não leva-la.
    Apesar de adorar crianças essas não me comoveram.
    A Laika deixou muitas historias e recordações ela faleceu com 16 anos com um tumor no baço. Foi operada saiu bem da Cirurgia e quando enfim consegui sentar do seu lado, ela já acomodada e passada a anestesia, colocou a cabeça no meu colo e morreu.

Se o cão tem ou não tem memória deixo para vocês concluírem, mas que tem sentidos e sentimentos mais nobres do que os de muitos homens, disso eu tenho certeza.




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O CASO DA TATA
Tata, pela mãos de Marly Spacachieri

Fui escolhida para latir aqui, para vocês, a minha história.

Sou a mais autêntica vira-lata da região. Nascida em 1990 (oficialmente sei lá, mas minha mãe humana me adotou em 09/05) em Taboão da Serra ( S.Paulo). Vim ao mundo sem nada, sequer um paninho quente. Porém, a mãe natureza me dotou de uma inteligência acima do normal: sou atriz (e das boas). Logo de cara vi que para conseguir alguma coisa a mais que comida era preciso agir e rápido pois a rua é violenta e cheia de perigos para nós, mocinhas desprotegidas.

Notei que num determinado conjunto habitacional havia um casal estranho, que fazia coisas estranhas (do tipo afagar cães sujos, pulguentos e sarnentos) e que tomavam um tal ônibus fretado todos os dias. Pelas roupas que usavam percebi que teria futuro com eles. A mulher me olhava com tristeza e muitas vezes (confesso agora) me coloquei em perigo, atravessando a avenida, para que ela se decidisse logo.

Demorou para caramba! E todos os dias eu fazia a mesma carinha de fome e tristreza e um dia funcionou. Chovia e eu aproveitei para ficar na rua, quase atropelada pelos ônibus, toda molhada e tremendo (a sarna ajudava bastante). Ela subiu em seu ônibus e ficou me olhando.

No dia seguinte, 09 de maio de 1990, eu estava realmente mal, arrastando a pata esquerda dianteira, tremendo muito e com uma espécie de tosse. E o pior é que não estava fingindo não. Ela chegou, me olhou e subiu chorando no ônibus. Eu já tinha desistido. Ninguém ia me querer e se ela não se decidia....

Quando fui para a feira, buscar meu pastel semanal, o mundo sumiu. De repente, um pano caiu sobre todo o meu corpo e algo me levantou. Entrei numa sacola de feira e fui carregada como um pacote. Quando entrei num taxi (que chique, né?) percebi que o negócio era sério e vi que não era a moça e sim o rapaz que me levava. Cheguei no Hosp.Veter.da USP. Os doutores me apertaram, examinaram, abriram minha boca e outros exames terríveis e concluíram que além da sarna e dos vermes eu estava com princípio de pneumonia. O rapaz me afagou, pouco se importando com meu mau cheiro. Quando examinaram minha pata (tiram até fotos) a cara deles me preocupou. Fui medicada e colocada de volta na sacola. Muito triste, o rapaz foi ao telefone e eu pude ouvir ele dizer para a moça que eu tinha grandes chances de sobreviver, mas a minha pata... Bom, ele chorava e eu não entendia nada. De repente ele desligou o telefone e sorrindo me ofereceu um fantástico cachorro quente. Dispensei o pão e fui direto para a salsicha (detesto maioneses e mostarda).

O taxi nos trouxe de volta e foi aí que senti medo mesmo. Era o desconhecido! Fui para um apartamento (eu queria casa com quintal, flores e portão!) no meio de uma reforma, com pedreiros e material para todos os lados. Assim fiquei durante muito tempo, sendo tratada pelo casal e o pedreiro que tentou ajudar no que pôde. Eu era sarna pura, ossos colados na pele, febre e suores. Além disso, a pata se arrastava. O tempo passou e a reforma acabou.

Engordei, fiquei esperta e todos os dias ficava sozinha em casa, cuidando daquele meu lar estranho e pequeno, ouvindo música clássica da FM Cultura (adoro Bach), comendo e dormindo bastante.

Um dia, minha mãe (me adotou mesmo, uau!) me encontrou comendo a minha pata. Formigava e me incomodava muito. O tratamento não estava dando o resultado esperado. Imediatamente voltei a USP e a doutora disse que tinha necessidade de amputação alta. O meu nervo estava morto (eu levei um ponta-pé na rua, poucos dias antes de ser adotada). Foi uma choradeira geral. Chorava médica, meu pai, os assistentes, menos eu. Com alívio me vi sem esse peso. Levei 42 pontos (perfeitos - parabéns USP e todo esse pessoal fantástico que lá trabalha).

Voltei para casa nos braços do meu pai e minha mãe mandou um chefe por um dia (ela era Gerente Financeira) para o inferno e ficou me tutelando. Lutei, levantei, me equilibrei e finalmente fiquei feliz de todo.

Hoje, passados 8 anos, sou muito feliz. Forte (peso 20 quilos) dou "baile" em todos os cães, galinhas e borboletas que aparecem por aqui. Continuo morando no mesmo apartamento, com mais patas como companhia. Faço festa

para todo mundo e num dias destes, quando estava na clínica veterinária, fiz tanta festa que o Dr.Alex (meu médico - lindo ele!) veio dizendo:

- "Tata, tinha certeza que era você!"

Uma mulher perguntou se eu era assim barulhenta e ele replicou

- "Ela é muito feliz e faz questão de mostrar isso"

.. Sou mesmo! Adoro meus pais e meus irmãos. Minha avó materna (ela odeia esse título) diz que ganhei na loteria. É verdade. Uma coisa só me deixa triste: minha mãe não consegue não sentir ódio de quem me chutou. Eu já disse a ela que perdoei e valeu a pena ter passado por tudo isso, mas fazer o quê.... vá se entender a parte humana da mamãe!

Jamais digam "tadinha" pois se assim o fizerem, viro de barriga para cima, abanando o rabo, chorando, para ganhar mais e mais carinho. Eu sou uma Tatinha; nunca uma "tadinha". Sou exemplo de força de vontade e exemplo que a natureza dá a quem quiser ver. Orgulho dos meus pais, do prédio onde moro (todos me acariciam) e início de conversa em qualquer grupo onde meus pais estão. A pura e autêntica vira-lata. com muito orgulho, sim senhor.

Gostaram da minha história? Dos tempos antigos, só sinto falta daquele pastel de feira.... Ah. sabe por quê foi o papai que me salvou naquele dia? É que no dia seguinte era aniversário da mamãe e ele me deu de presente para ela.




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FREUD EXPLICA
Silvia Parisi

    Existem muitos cãezinhos que o dono torce para que ele não fique doente... e a veterinária dele muito mais...
    O Freud era um poddlezinho muito bonito, bem cuidado e amável. De repente, sua dona resolve ter um bebê...
    Isso foi atrevimento demais para ele. O Freud resolveu se transformar numa fera e dominar a todos na casa. Afinal, a afronta havia sido demais...tirar-lhe todas as atenções??? Isso não se faz nem com um cachorro, pensava ele.

    E o Freud foi piorando cada vez mais, sua agressividade, fruto do ciúme que tinha do bebê , já não respeitava mais ninguém na casa. A vacina anual ficava cada vez mais difícil de se aplicar. À domicílio ainda? No território dele?...

    Um dia fui chamada para fazer um limpeza de tártaro naquela temida boquinha. Apliquei um tranquilizante e o Freud dormiu que só ele... ou pelo menos, parecia dormir... Vez ou outra ele fechava a boca rápidamente, mas eu ainda queria crer que era só um reflexo.

    Bem, terminado o serviço, eu quis colocar o Freud na sua caminha e acomodá-lo. Não sei porque resolvi fazer isso, uma vez que estava grávida de 7 meses e quase não podia me abaixar. Coloquei o Freud em sua cama e para a minha surpresa, ele deu um pulo e saiu correndo atrás de mim para me atacar, como se não tivesse tomado um pré-anestésico...

    Tive que subir numa cadeira para ele não arrancar um pedaço da minha perna. Imaginem a cena, a veterinária em cima de uma cadeira fugindo de um poodle toy... Bem, meu estado não permitia que eu fizesase outra coisa, mas me senti ridícula naquela situação. Já enfrentei um canil de cães de guarda para vacinar grávida de 8 meses, mas igual aquele poodlezinho...

    Bem, torço para o Freud continuar saudável e limpar seu dentes agora, só com anestesia geral e botas de cano longo!!!!




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A EPOPÉIA DE JOANINHA E ZECA
Marli Spacachieri

    Esta é a epopéia de uma poodle pequenina, chamada Joaninha, com o também poodle atlético de nome Zeca.
    Pois bem, Joaninha, toda dengosa, encaracolada, de pelo cor de sorvete de creme não diet, perfumada e mimada, apaixonou-se pelo Zeca, o poodle mais matreiro do local, todo garboso com seu pelo preto, brilhante e sua coleira prateada.
    A paixão foi correspondida e, numa escapada digna de um filme, Joaninha e Zeca encontraram-se no jardim ao lado do estacionamento. Foram encontrados pelos respectivos donos, contudo, estavam já na fase do cigarro, bem relaxados.
    Tudo bem, tudo bem! Ela não é uma criança; mocinha sim! E grávida!
    Algum tempo depois, cinco lindo filhotes. Três cor de sorvete de creme não diet e dois na cor marrom com pequenas mesclinhas mais claras. Surpresa para a dona da poodle, que foi devidamente acalmada pelo veterinário numa longa explicação sobre cor de pelagem canina.
    O tempo passou e os filhotes foram doados; contudo, o dono do Zeca quis uma menininha cor de sorvete de creme não diet mas teve a infeliz idéia de colar seus lacinhos com super cola.
    Loucura e revolta no local! A dona da Joaninha, irada, nervosa e com todo o apoio da população local, pos a boca no mundo. Envergonhado, o dono do Zeca concordou em devolver aquela bolotinha peluda de sorvete de creme, que foi devidamente encaminhada para um lar menos estranho.
    Contudo, a dona da Joaninha, não conformada, reuniu o pessoal todo e contou que havia descoberto o porquê os filhotes nasceram com aquela cor: o dono do Zeca tinge seu pêlo com tintura (Koleston) preta. O meninão, na realidade, é amarronzado, meio mescladinho.
    Depois disso, com a pressão de toda a criançada local, gritando feito louca: "tingido, tingido", o Zeca ficou ao natural.




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