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A BOLINHA CORRENDO PELA RUA
Marly Spacachieri

Corria o ano de 1997, final do mês de novembro. Num determinado dia saimos atrasadíssimos para atender a um cliente. No caminho decidimos mudar o roteiro já que a Av. Rebouças sempre é muito congestionada. Pois bem! Foi aí que tudo aconteceu. Na Av. Francisco Morato esquina com a Av. J. J. Saad resolvemos virar à direita. Pista do meio, carro na frente, nos lados e atrás. O da frente freiou e saiu para a esquerda, assustando todo mundo que freiou junto. Na nossa frente uma cena: um cachorrinho minúsculo, correndo feito louco pelas ruas, sem saber para onde ir. Logo adiante a avenida bifurca-se e o danadinho seguiu por lá. Bobagem dizer onde estávamos nesse momento, certo? Correndo feito loucos. Chamamos a atenção de uma viatura da polícia de trânsito que saiu atrás de nós.
Ficou assim: o cachorrinho correndo, nós atrás e a polícia finalizando o cortejo. O Morumbi é o bairro de maior concentração de renda do país mas tem favelas, vielas e ruas sem asfalto. E foi numa dessas ruas que ele, o cachorrinho, seguiu. Sai do carro e passei a correr feito louca. Um calor dos diabos! 15 horas! Enquanto isso, o Magno fazia acrobacias fantásticas com o carro, tentando chegar para onde eu corria. E aí eu olhei para o lado e vi uma policial correndo atrás de mim. Era só o que me faltava! Eu estava sem bolsa, sem documentos, sem fôlego, sem nada. Corri mais ainda. Bronquites à parte, eu corria mais que ela. E o cachorrinho correndo na frente.
Nessa altura éramos um espetáculo. O cachorro corria, eu ia atrás e a policial me seguia par-e-passo. Atrás disso: Magno manobrava o carro, seguido de perto pelo carro da polícia. E todo mundo na rua olhando... estranhando.... até que o cachorrinho parou, olhou e entrou numa casa. Uma mansão! Parei. A policial parou e me disse:

- "É seu?"

Respondi que não mas que se continuasse solto fatalmente iria morrer atropelado. Era um filhotinho de poodle lindo. Ela me olhou e disse:

- "E agora? o que a gente faz?"

Decidimos tocar a campainha. Fomos atendidas por uma senhora muito simpática que ao ouvir a história imediatamente nos mandou entrar e procurar o cãozinho.
Magno e a polícia chegaram. O espetáculo estava montado porque o cachorrinho não deixava ninguém se aproximar, ameaçando fugir dali. Melhor não correr riscos! Mas notamos que ele estava machucado pois havia sangue em seu pêlo. De repente, saido não se sabe da onde surgiu um indivíduo dizendo-se o dono do cachorro e que iria retirá-lo. A senhora perguntou o nome do cachorro e o rapaz se atrapalhou todo. Ela alegou que ele não era o dono coisa nenhuma e que não o deixaria entrar. A viatura policial chamou a atenção das pessoas que foram se aproximando. O indivíduo tentou "forçar" sua entrada, ato reprimido pela policial que educadamente o lembrou que a casa era daquela senhora. O homem olhou a policial de cima a baixo e com um sorrizinho disse

- "Veremos!".

Nesse momento ouvimos um sonoro:

- "Peço reforço, tenente?"

Era o motorista da viatura, modelo armário com maleiro e tudo! Sorrindo, a policial disse:

- "Ainda não, mas fique atento!"

Mas não havia jeito de chegar perto do filhote. Ele tremia e chorava baixinho. Estava exausto. A senhora ligou para o veterinário que se dispôs a vir imediatamente. Contudo apareceram dois rapazes, muito bem vestidos, numa Ranger, óculos escuros, e tal e coisa .... e se dizendo donos do cachorrinho. Mesma pergunta:

- "Qual o nome?"

- "Bob", respondeu prontamente um deles.

E o tal de Bob sequer lhe deu atenção. A policial pigarreou, olhou para os dois e disse:

- "Vamos falando a verdade".

O rapaz ia falar algo quando o nosso amigo armário veio com mais um

- "Posso chamar reforço, tenente? "

A policial olhou, pensou e disse:

- "Chame o Corpo de Bombeiros, pois eles são os melhores nisso".

Gente, parecia que todas as pulgas do mundo tinham pulado nos dois jovens garotões. Não havia frontline para combater aquilo. Ficaram brancos, verdes, amarelos e quando iam azular.... suspiraram e disseram:

- "Não, por favor, bombeiro não! A gente conta tudo".

Explicaram que eram donos de uma loja de banho e tosa e que o cachorrinho havia escapado de lá. Pois bem! O danadinho fugiu porque levou "uns tapinhas" para ficar quieto. Estávamos a pelo menos 1 quilômetro da tal loja. Eles queriam pegá-lo e devolvê-lo a dona, e tudo terminaria bem. A policial pensou, olhou para eles e disse:

- "Chame a dona do cachorro aqui".

- "Ah, mas não dá!"

- "Não? Jorjão, chame os bombeiros!"

Imediatamente, saido do nada surgiu um celular já sendo discado para a dona.
Em menos de 15 minutos encostou um carro e desceu uma moça gritando feito louca:

- "Floc, onde está o meu Floc?"

E a bolinha peluda, mancando um pouquinho, saiu daquele esconderijo e pulou no colo dela. A moça ficou como louca. Era amiga dos rapazes e entregara o Floc aos seus cuidados. Não pensou duas vezes e jogou a bolsa em cima deles. Jorjão entrou e apartou a briga. Nesse instante chegou o veterinário amigo da senhora que examinou o cachorrinho. Sugeriu um exame mais apurado mas pelo que via tratava-se de um pequeno corte apenas. Suspiros de alívio.
Bom, missão cumprida, trocamos telefones, tomamos um cafezinho e cada um seguiu para o seu lugar. O cliente nosso? Sabe que o danado ficou retido num congestionamento por mais de duas horas (carga tombada na marginal) e chegamos juntos.



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ASTOR, O MACHÃO!
Adriane F. Palma Orofino

Eu e meu marido temos um amigo que é solteiro e vive com um lindíssimo Dobermann, de nome Astor, que deveria ter na época deste história uns 2 anos.
Numa tarde de domingo fomos visitar Jataí - isto é nome ?! Bem esquisito, né ?! mas...fazer o quê ?!

Pois bem, lá fomos nós. Quando tocamos a campainha, ouvi Jataí falar baixinho algo com alguém (fiquei sabendo depois que era com Astor). Entramos, conversamos e no meio da conversa começamos a elogiar Astor, que nesta altura do campeonato já estava com as duas patinha no meu colo, enquanto eu o acariciava.
Ele dizia que Astor era fissurado em mulher e que se alguém tentasse fazer algum mal a alguma mulher ele avançava...
Marcos (meu marido, que não liga muito para bichos, e não os entende) olhava para Astor e dizia:
- Será?! Sei não esse "cara" pelo jeito é meio vi..d...nho.
Falava de gozação com o cachorro, é claro!
Sabem o que Astor fez? Saiu do meu colo, andou para um lado, andou para o outro...e simplesmente sentou en cima dos pés do Marcos...até aí, achamos graça...Marcos comentou:
- Eu não disse !!?!! É um vi..d...nho mesmo hein?!
Gente...Astor sem mais nem menos começou a fazer xixi no pé dele, olhem foi uma gozação só...Marcos ficou p...da vida!
Um tempo depois do ocorrido, levantamos para irmos embora, Astor não saía do meu lado, achei estranho e comentei com eles...estávamos próximos da porta de saída quando de repente Astor abocanhou o punho do Marcos... Não chegou a morder com força, foi só para segurar, me entendem?!
Jataí virou-se e nos disse:
-Ele não vai deixar vocês irem embora enquanto Marcos não se desculpar.
Caí na gargalhada! Imaginem a cara dele nesta hora! Pedir desculpas a um cachorro? Logo Marcos que não liga e muito menos entende estes adoráveis animais... E foi verdade!
Jataí disse para Marcos pedir desculpa logo, senão Astor provavelmente iria começar a apertar a mordida... Marcos não acreditou... Astor apertou um pouco, tipo para avisar que Jataí estava falando a verdade...
Marcos foi obrigado a pedir desculpas pelo que havia dito! E aí então pudemos ir embora...
Jataí me disse depois, que na hora que foi nos atender estava pedindo a Astor que se comportasse... ele deveria pedir isso ao Marcos, não é mesmo?

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TATA, A FEITICEIRA
Marly Spacachieri

Esta história é dedicada ao Dr. Alex Lafarti de Sena,
mais que veterinário, mais que amigo, que além dos olhos, tem a alma azul!

Era uma vez um lugar onde existiam cães abandonados, gente malvada e pessoas boas e sensíveis. Lá nasceu uma cadelinha preta, sem raça alguma, muito bonita. Não era uma cadela comum. Não! Era especial, mágica e muito feliz. Mas nem sempre foi assim, essa felicidade. Quer saber por quê? Bem..... vamos pedir a essa cadela que lhe conte tudo.

Olá. Meu nome é Tata. Nasci num lugar com ruas sujas, pontos de ônibus cheios de papéis jogados, casas muradas, bêbados caídos e gente apressada passando e pisando sem olhar nem para cima, nem para baixo. Numa dessas ruas eu comecei a minha vida canina. Não tive um paninho quente para dormir, pois nasci pobre como todos os seres que vivem nas ruas. Apesar de ser uma cadela sem lenço, sem documento e sem raça, a mamãe natureza me deu um dom: sou atriz (e das boas). Isso me ajudou bastante quando percebi que para conseguir alguma coisa além de um prato de comida, precisava agir rápido. As ruas são violentas e cheias de perigos para todas as cadelas inocentes e desprotegidas. Tem cada cachorrão!

Estava eu no mesmo ponto de ônibus de sempre quando os vi. Quem? Ah! Um casal que passava por lá todos os dias e me olhava com dó. E que do! Porém, não saía disso. Pensei, analisei e me resolvi quando num dia, a moça parou e me afagou. Tinha que ser adotada por eles. E como conseguir isso? Sou atriz, lembra-se? Aproveitei que a moça me olhava com tanta tristeza e deliberadamente me coloquei em perigo, atravessando a rua sem olhar para os lados, fora da faixa de travessia e sem respeitar o semáforo.

Ela se encolhia toda, tapava os olhos e enfiava a cabeça no peito do rapaz. Ele ficava apavorado, literalmente de cabelos em pé. Fiz isso algumas vezes e nada deles decidirem me adotar. A minha sarna estava incomodando demais e o inverno de aproximava. Comecei a fazer carinhas de tristezas, simulei uma tosse mas cachorro tosse diferente e ninguém percebeu todo o meu esforço. Tentei dia após dia. E nada!

Numa noite acordei sendo chutada por um rapaz no ponto do ônibus. Doeu muito. Na manhã seguinte chovia e eu não conseguia mais por a pata no chão. O casal apareceu e nem deu tempo de me preparar para a encenação do dia. Estava com dores pelo corpo, arrepios e a chuva me fazia sentir mais calafrios. A moça parou e me olhou. O ônibus chegou e ela subiu chorando, acompanhada do rapaz. Me deu um olhar comprido e muito triste. Eu desisti. Se com todo o meu teatro, arrastando a pata, de verdade; se com tudo isso não havia conseguido, era melhor desistir. A chuva caía mais forte e tentei me arranjar numa barraca da feira. De repente, tudo escureceu!

Estava tentando parar o frio quando caiu um pano sobre meu corpo. Que susto! A pata doia, estava com frio e agora isso! Num momento levantaram meu corpo bem magrinho e cai numa sacola. Ora, vejam só! Eu, a maior cadela atriz do mundo sendo levada numa reles sacola de feira. Levada? Para onde? Pelos deuses caninos! Onde iam me levar? Suspense! Ação! Da sacola ao taxi. E do taxi para onde? Não deu para ver. Só percebi que estava ao lado do rapaz. Qual? Aquele, da moça chorosa! Ué! Cadê a moça? Novo suspense! Nova ação! O que iria acontecer? Chegamos a um amplo jardim, bonito e limpo, com muita gente. E senti o nítido cheiro dos cães apavorados. Ai e ai. Que será isso tudo? Um hospital! Pelos meus ossos sagrados! Pelos pastéis divinos!

Entramos no tal hospital e lá me apertaram, cutucaram, puseram coisinhas estranhas em locais esquisitos. Gente estranha! Todo mundo de branco. Parecia a barraca do Zé do Frango! Mas frango que era bom.... nadinha! O rapaz ficou na porta, esperando sei lá o quê! E o povo me virava, raspava a pele, cutucava o ouvido, nariz, boca e.... bem.... deixa para lá! Fui ficando nervosa mas o frio aumentava cada vez mais. Aí me deram uma picada e a dor passou. Descobri que estava mesmo numa reunião de mágicos. E eu era mágica também. Todos os cães são mágicos pois sabem aparecer e desaparecer, que nem as moedas. Tinha que ser uma reunião de mágicos pois com uma picada tiraram a dor! E olha que eu conhecia picadas! Minhas pulgas de estimação davam cada dentada.... mas nunca tiraram nada além do meu sangue.

Pois bem. De repente ficaram todos sérios e falaram bem baixinho com o rapaz. Ele acenou que sim, que sim e que sim. Colocou-me na sacola e antes de sair voltou a dizer que sim. Sim o quê? Só descobri depois que ele foi num orelhão e ligou para a moça chorona. E ele começou a chorar também. Eu queria ser adotada e não lavada por lágrimas. Falaram, falaram e mais falaram. No final não entendi nada porque ele sorria feliz e até me ofereceu um cachorro-quente. Gente esquisita! Apertou a minha bochecha e disse que meu nome era Tata. Esse era o apelido da moça. Homenagem? Sim! Claro! Ela deve ter ficado encantada em poder dar seu apelido para uma linda cadelinha como eu.

Novo taxi e quando me preparava para descer no meu ponto, o danado do carro entrou num jardim grande, que tinha prédios. Lá fui eu para dentro de um cubículo que os humanos insistem em chamar de apartamento. Fechou-se a porta e me deu um pavor danado. Era o desconhecido. Santos ossos do ofício! Num canto fui colocada, sobre panos quentes. O rapaz saiu trancando a porta mas eu estava muito cansada para tentar fugir. Acordei tomando uma injeção. E dá-lhe remédios amargos, vitaminas, etc e tal.

A moça chegou toda feliz da vida e me afagou. No dia seguinte era seu aniversário e eu fui o presente. Gente esquisita! Contudo ela era carinhosa e fazia umas sopas ótimas. Em pouco tempo recuperei o peso, sarei da sarna e da tal tosse. Tudo ficou bem, exceto a pata. Não teve jeito. Tiraram. E fiquei linda com 3 patas: duas atrás e uma na frente. De atriz para bailarina em um passe de bisturi. Bom, claro que doeu mas era preciso. E aí aconteceu a minha primeira mágica. Nessa operação ficou marcado o dia em que deveria me tornar invisível. Anotei direitinho e passei a ser a cachorra mais feliz do mundo.

O casal me adotou. Eu tinha pais de verdade. Ganhei coleira, cestinha para dormir, pratinho e brinquedos. Ração e água à vontade. E música clássica. Mamãe me ensinou a ouvir Bach para dormir, Chopin para meditar, Mozart para relaxar e Vivaldi para ser feliz. Entre vitaminas e gelatinas fui me firmando.

Os anos foram passando e eu ganhei alguns companheiros. Mamãe sempre por perto, tentando compensar a perda da minha pata, me pegando no colo para atravessar pontes, me ajudando a nadar, correndo comigo e me amando de verdade. Papai sempre orgulhoso de meu comportamento barulhento, fazendo questão de me mostrar a todas as pessoas. E como fiz sucesso. Tata, a cadela de 3 patas! Quase me candidatei para síndica da causa animal. Não deu porque o eleitorado é canino-machista. Viajei, corri, brinquei e então um dia recebi um aviso de que precisava ficar invisível. O relógio que meu anjo da guarda colocou no lugar da pata tirada estava avisando que o horário de parar se aproximava.

Aí fiquei com medo. Pela primeira vez senti medo de deixar meus pais e meus companheiros. Mas era preciso. Todo anjo precisa voltar para sua nuvem. O meu tempo já estava esgotado há muito tempo. E como fazer isso? Um dia encontrei um tio que me olhou com carinho, com grandes olhos azuis. Me afagou, beijou meu focinho e eu percebi que poderia confiar nele sim. A gente combinou em ser amigos para sempre e por isso o escolhi para entregar meu corpo. Pedi desculpas mas minha alma será sempre da minha mãe e do meu pai. Ele entendeu. E eu me fui do mundo visível para o invisível, cercada de carinho.

Hoje estou invisível mas não saio de perto deles. As vezes estou com a mamãe; as vezes com papai. Algumas vezes vou ver meu tio dos olhos azuis que cuida de cachorros e gatos doentes e dou meus palpites no seu ouvido. Ele finge que não ouve mas sempre os aceita. Me tornei sua ajudante. Claro que quando ele corta rabinhos de filhotinhos eu o encho de pulgas invisíveis. Quando ele consegue salvar um bichinho - sempre com a minha ajuda, é claro - dou-lhe algumas lambidas. Contudo, nem sempre isso é possível e então eu entro em ação, colocando cada novo companheiro invisível num novo corpo que vai nascer. "- É, a gente fez uma excelente parceria, não é Tio Alex? Você sabe que sempre que precisar pode contar com a minha mágica! "

Bom, vou ter que encerrar por aqui pois o dever me chama. Você não imagina a quantidade de trabalho que os anjos da guarda caninos têm. É um tal de proteger cachorro sem coleira, solto pelas perigosas ruas; ou então ficar assoprando no ouvido do dono dele que chegou a hora de vacinar! Nossa! Tem trabalho sim. Porém você deve estar se perguntando por que me chamam de "feiticeira". Ora bolas, eu adoro morder as vassouras que fazem barulhos esquisitos quando varrem. Mesmo sendo invisível sou uma cadela, ué!

Um beijo no coração. Tata, a vira-lata feliz



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A FARRA DO TIGRÃO (Um cão não morde a mão que o alimenta e afaga)
Gladimir Nascimento
www.gladimir.jor.br

Era um fila brasileiro assustador, tigrado de preto e dourado, muito eficiente como cão de guarda. Não que tivesse frustrado algum assalto. Na verdade a família nunca o viu rosnando para quem quer que fosse, já que só o porte e aquela cara feia bastavam para manter longe os intrusos.
Tigrão era na verdade um cachorro calmo, que brincava com as crianças da casa e nunca feriu ninguém (a não ser naquela vez em que foi correndo para saudar o dono, escorregou na calçada e levou a ambos para o chão). A única ocasião em que passou dos limites foi numa véspera de dia das mães. A família toda ia se reunir e na noite anterior a mãe deixou tudo preparado para o churrasco. Em cima da mesa estavam uma bacia com quilos de costela e filé caprichosamente temperados e dois bolos de chocolate.
A porta da cozinha não foi bem fechada e com uma só patada Tigrão entrou. Deve ter babado ao ver o banquete, e pela primeira vez na vida atacou.
A primeira vítima foi a bacia de carne. Comeu tudo, lambeu-se e olhou com olhos marotos para os bolos sobre a mesa.
Pela manhã a casa foi acordada por um grito. Uma das crianças encontrara o Tigrão estatelado no piso da cozinha. Estava enorme, redondo, deitado "de bruços", não conseguia se mexer. Mãe ficou furiosa. Não restara sequer um pedacinho de bolo, Tigrão devorara tudo, uns dez quilos de comida. Queria puni-lo com umas vassouradas, mas ele já estava tendo seu castigo: a maior indigestão canina de que se tem notícia. Precisaram arrastá-lo para fora, com muito cuidado, pois não conseguia se levantar. Passou o dia inteiro com aquela cara de ressaca, largadão. O incrível é que depois da presepada ficaram gostando do Tigrão ainda mais e até hoje lembram dele com carinho.
Conto essa história ingênua para sossegar quem porventura tenha lido a infeliz matéria de "serviço" da revista "Veja", duas edições passadas, que qualificou como "assassinas" algumas raças de cães de guarda, recomendando que as pessoas nunca tenham animais como estes em casa. Os cães, inclusive os de guarda, sempre refletem a personalidade de seus donos. Nunca ouvi falar que alguém que tratasse seu cão de guarda com carinho e respeito tivesse qualquer acidente com ele. O cão não morde a mão que o alimenta e afaga.



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GREEN, O DÓCIL ("Cão assassino" é tão brincalhão que não serve para guarda)
Gladimir Nascimento
www.gladimir.jor.br

O cão que matou o dono e o tratador brinca pacificamente com o investigador Alfredo Müller. "Ele é carinhoso e muito carente de afeto", diz o policial.
Um mastim napolitano de três anos que já matou duas pessoas está no xadrez da delegacia anti-tóxicos, em Curitiba - não por causa dos "crimes" que cometeu, mas porque apesar de ser um cão muito corpulento é ágil o bastante para saltar de dentro do canil da delegacia, que terá que ser adaptado para acomodá-lo.
Green, que tem pedigree e o título de jovem campeão internacional, matou o próprio dono, o bicheiro Mário Tamiya, há cerca de um ano, em Apucarana. Levado para Maringá, atacou o tratador, que perdeu a perna e semanas depois morreu por causa de complicações do ferimento. Um filho do proprietário, sem saber mais o que fazer com o cão, despachou-o para a anti-tóxicos, que mantém seu próprio canil e reabilita cachorros considerados excessivamente agressivos. Lá estão, por exemplo, Nick, conhecido entre os treinadores de Curitiba como "pastor alemão assassino", e Bryte, um rotweiller que chegou com uma autorização da dona para que fosse executado, se necessário.
Os policiais da anti-tóxicos, acostumados com cães neuróticos, se surpreenderam, porém, com Green. - "Ele não é nada disso, é tão dócil que sequer serve para guarda", diz o delegado Adauto Oliveira, titular da delegacia.
Quem cuida de Green agora é o investigador Alfredo Müller, 46 anos. Com seus vinte anos de experiência como adestrador ele assegura: "trata-se de um cachorro carinhoso e muito carente de afeto". Então como se explica que tenha matado duas pessoas?
Pode-se dizer que foi por causa de... mulher. Ou melhor, cadela. Segundo Alfredo os machos da raça mastim napolitano têm muito acentuada a característica de defender a fêmea. O proprietário teria chegado embriagado (portanto com o cheiro e a voz alterados) e repreendido, batido ou ameaçado a companheira de Green, no canil da casa, provocando a reação imediata do macho. O mesmo instinto teria provocado o ataque ao tratador, em Maringá.
Contrariando conselho de uma psicóloga consultada sobre o caso, os responsáveis pelo canil teriam deixado Green junto com a fêmea. O tratador, acham os policiais que brincam despreocupados com o cachorro, deve ter dado motivos para o cão achar que a companheira estava sendo ameaçada.



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A HISTÓRIA DA CINDY
Adriane Palma

Vou contar uma historia verídica sobre minha adorável Cocker Inglês Cindy.
Cindy era linda! Morreu quando já estava com 5 anos, (na minha opinião por imprudência da veterinária) mas nossa convivência foi enorme, ganhei ela quando tinha somente 45 dias de vida, era cor de fígado com branco, um luxo só! Como dizia minha irmã. Tinha umas orelhas compridas e seus olhos eram cor de mel.
Assim que Cindy chegou aqui em casa pelas mãos de meu noivo na época, (agora meu marido) estávamos saindo de uma experiência um pouco ruim, tínhamos perdido nossa grande Lassie (uma cadela mestiça de Pastor Belga, tinha 17 anos quando se foi). Estávamos um pouco abalados...
Minha mãe e irmã bem diferentes de meu pai e eu, não liga muito para bichos, como ela mesmo diz:

- Quando começamos a nos apegar, eles se vão ou ficam doentes, sofremos nós e eles, por isso prefiro não tê-los!

Voltando a historia da Cindy:
Na noite em que meu noivo me deu Cindy, era véspera do meu aniversário, estávamos eu, meu pai, minha mãe e minha irmã na sala, meu noivo adentrou com uma caixa de papelão grande e perguntamos o que era, antes que ele respondesse, Cindy colocou sua cabecinha para fora da caixa e pude ver que tinha um lacinho vermelho colado com durex na testa (colocado pela minha sogra) fiz uma tremenda festa com ela, hoje me recordo e não consigo deixar de sentir muito sua falta...
Pus Cindy no chão e ela correu para os pés de minha mãe, parecia que sabia que teria que conquistá-la primeiro para ser bem vinda, engraçado foi que minha mãe estava com esmaltes vermelhos nas unhas e Cindy não parava de lambê-los!
Minha mãe fazia um escândalo pedindo para que ela parasse pois estava fazendo cócegas.
Daquele dia em diante Cindy foi ficando cada vez mais linda e querida por toda a família... até pela minha mãe e irmã, que de vez em quando arriscavam uns carinhos... quando saíamos para passear ela fazia sucesso... com sua orelhas, algumas mechas e as patas cor de fígado! Parecia que usava botas.
Passear de carro?! Não precisava nem chamar! Antes de nós, ela já estava sentada dentro do carro, no banco da frente! Desculpem-nos mas tinha que ser o banco da frente! E com a cara na janela e pegando o vento!
Quando meu pai chegava em casa, antes mesmo de abrir o portão ela já estava sentadinha esperando por ele, toda serelepe pois já tinha ouvido o barulho das suas chaves... eles brincavam um pouco e ela corria para a cozinha e sentava de frente para a fruteira... ele perguntava se ela queria bananinha e ela corria de um lado para o outro toda contente... ele descascava a banana, partia em rodelas e enquanto isso ela corria para a sala e sentava em frente ao sofá esperando a sua recompensa e ele ia aos poucos dando as rodelas da banana para ela, uma a uma... era incrível pois esta cena se repetia todas as noites.
Na hora do almoço, meu pai sempre se deitava um pouco no sofá da sala e comia melão de sobremesa, e Cindy sabia disso! Ela já estava deitada esperando por ele ao lado do sofá.
Cindy sempre teve "problemas" com água, pois adorava ficar deitada no meio do quintal pegando chuva! Era muito engraçado quando todos os cachorros dos vizinhos e da rua estavam se protegendo da chuva, Cindy estava lá de baixo dela no meio do quintal! E ai de alguém que fosse tentar tirar ou secar, ela corria como uma doida para não ser pega.
Muito interessante era quando eu precisava molhar as plantas, ela ficava tentando morder a ponta da mangueira por onde saía a água... Um detalhe: ela só bebia água se a torneira do quintal estivesse um pouco aberta... cumbuquinha para água? Não adiantava comprar, quantas comprava e quantas ela destruía...
Para tomar banho era um barato, Cindy levantava a patinha para ensaboar e enxaguar sua barriga. Muitos amigos meus diziam que Cindy não era uma cadela e sim um peixe!
Garrafas plásticas de refrigerante era um dos brinquedos preferidos dela! Jogávamos no quintal e ela corria para pegá-las, era uma tremenda bagunça, uma barulheira danada!
Quando Cindy adoeceu levei ela ao veterinário, (não a mesma que cuidou de Lassie, esta havia parado de trabalhar por causa de uma gravidez de alto risco) estava com otite e um outro probleminha no útero, ela nunca havia cruzado! Era esse o seu problema! Seus ovários formaram uma infeção. Não sei bem o que houve... Cindy não deixava nenhum cachorro sequer cheirá-la, estivesse ou não no cio!
Brincávamos dizendo que ela era lésbica.
A veterinária passou muitos remédios, achei estranho mas... como ela estudou para isto e eu não... fizemos o tratamento. Pensávamos que ela estava bem...
Numa manhã de sábado Cindy começou a se sentir mal, achei que fosse um pouco de dengo dela... ela adorava se fazer de vitima... precisei sair mas não me demorei, assim que voltei minha mãe disse que do jeito que eu a havia deixado, ela estava, na mesma posição. Achei estranho, chamei e ela não veio, fui olhar e os olhos dela estavam completamente inchados e sua respiração estava muito forte. Tentei colocá-la de pé para andar e chamei por ela, ela começou a ir em direção a parede, completamente desnorteada...
Me apavorei, peguei o carro e levei ela imediatamente para a clínica, chegando lá a veterinária se assustou comigo, eu estava em prantos... ela deixou de atender um cachorrinho para nos atender... me perguntou o que tinha havido, contei.
Ela começou a dizer que não estava entendendo nada que não sabia o que fazer... colocou Cindy no soro e aplicou duas injeções não sei de que, sendo que ela não reagia, continuava imóvel, me olhava como se estivesse pedindo ajuda... de repente suas pupilas começaram a dilatar e sua respiração ficou ainda mais forte, sua língua começou a ficar cinza, eu perguntava para a veterinária o que estava havendo e ela respondia que não sabia! Dizia que o que tinha que ser feito estava sendo feito!
Eu me desesperava cada vez mais... não sabia como agir.
Foi então que a veterinária disse que ela estava morrendo, que não tinha mais jeito... que já estava morta... acertei tudo e saí de lá meio sem rumo. O que eu iria dizer para meu pai? Como eu daria essa noticia? Que situação horrível!
Estávamos no mês de dezembro, faltavam alguns dias para o Ano Novo... naquele sábado iríamos para Petrópolis - RJ, para um sítio no meio da Serra, passaríamos o Ano Novo lá com todos da família... só fui encontrar meu pai à noite, foi horrível, minha mãe deu a noticia, parecia que havia morrido uma criança, todos choravam... sentíamos pena, saudade, raiva... sei lá... meu pai diz até hoje que foi a veterinária que a matou, que prescreveu remédio demais... não sei... não temos como provar nada... mas tenho minha dúvidas...
Tudo isto já fazem mais ou menos 2 anos e ainda hoje quando me sento com meu pai e meu marido ficamos lembrando das travessuras dela... nunca vamos esquecer dela...
Saudades CINDY.



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O PASSEIO DA TUCA, A BIG URSA, NUM DIA PELA MANHÃ
Marly Spacachieri

Cena 1
- Tuca sendo preparada para um passeio no jardim.
- Coleira com peitoral super reforçada porque a "big ursa" é fortinha!!!!!
- Magno preparando-se psicologicamente para mais uma sessão de "dog-esqui".
- Porta abrindo...

Cena 2
- Tuca arrastando Magno escada abaixo.
- Coleira esticando, esticaaaaaaannnnnnndoooooooo, rásg!!!!.
- Tuca descendo a escada como um foguete sem tripulação.
- Magno correndo e tropeçando no cadarço do tênis.

Cena 3
- Berros da Marly - a mãe apavorada: TUCAAAAAAAAAA!!!!!!!!!
- Mais berros da Marly - a mãe desesperada - TUCAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!
- Muitos berros (já não tão altos) da Marly - a mãe enlouquecida - TUUUUUCCCCCAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!
- Milhares de gritos afônicos da Marly - a esposa enraivecida - MAGNOOOOOOOOOO, TE MATOOOOOOOOO!!!!!!
- Vizinhos nas janelas; portas de entrada sendo abertas! Olhos esbugalhados! Gente com pedaços de biscoitos nas mãos!
- Janelas lotadas daquele pessoal que simplesmente adora ver uma briga!!!!!!!!

Cena 4
- Magno gritando: CALMAAAAAAAAA que eu pego ela!
- Magno falando: Tuca, venha cá!
- Magno gritando: TUCA, PARE JÁ!!!!
- Magno implorando: TUCAAAAAAAAAAAA!!!!!!
- Magno olhando para Marly, a maluca alucinada, e dizendo: "Cadê?????"

Cena 5
- Marly tentando achar os óculos, focando os olhos e procurando.
- Marly mais desesperada gritando: A TUCA SUMIUUUUUUUUUU
- Marly quase se jogando da escada!

Cena 6
- Magno descendo rapidamente a escada.
- Magno tropeçando no outro cadarço do tênis.
- Magno empurrando o vizinho que - desavisado - sobe com o leite e o pão.
- Pão no chão!
- Leite no chão!
- Vizinho espremido na parede... assustado!

Cena 7
- Garotinho sentado no degrau.
- Tuca sentada ao lado do garotinho.
- Tuca e garotinho tomando o mesmo danoninho.
- Tuca levantando-se e se aprumando para passear.
- Garotinho dizendo: tchau, Tuca. Amanhã eu trago mais.
- Tuca olhando o pai e pensando: "que coisa! logo cedo ele está assim descabelado e ofegante; será que está ficando velho? Preciso levá-lo ao médico!"



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A HISTÓRIA DO TOQUINHO
Marly Spacachieri
Em homenagem à Márcia, sua filha Andrea, bem como a todos daquela família que realmente tem coragem de amar os animais.

Era uma vez...
... um duende que queria ser gente. Queria porque queria! Insistia, pedia para o duende-chefe e nada! Um dia, depois de tanto chorar apareceu uma fadinha bonitinha, peluda, de longa cauda que, penalizada com o pobre duende disse-lhe:
- Se você quiser ser gente precisa passar no teste!
- Que teste, respondeu o duende choroso.
- Ser amado antes de ser gente.
- Como assim!, perguntou o duende.
- Simples. Eu transformo você num bicho e você sai pelo mundo dos homens. Se conseguir ser amado, se conseguir sensibilizar um coração, se conseguir com que aceitem você com todos os seus poréns... poderá se transformar em gente.
O duende aceitou o desafio. De cara foi transformado num cão. Um cão vira-lata, de rua, bem danadinho, de olhar meigo e doce. E claro que caiu numa cidade de Minas (pois a mineirada adota tudo quanto é cão que aparece, sô!) para ter mais chances. Teve sim. No primeiro dia estranhou aquele negócio de ter que levantar a pata para fazer xixi! E aquele cocô público? Santa vergonha! E pulgas? E coceira? E aquela cadelinha no cio provocando situações constranngedora? Santos caldeirões mágicos! Que coisa! Roer osso? Logo ele que adorava frutas silvestres? Comida estranha essa que os humanos comem... mas até que a tal feijoada é boa sim (não fosse o resultado posterior... auuuuuuu).
Passendo pelas ruas conheceu outros animais e conversou, cochilou ao sol, sofreu empurrões e afagos. Foi tomando gosto pela vida de cão. Uma velhinha aqui... um garotinho ali..... a casa da Marcinha..... tudo no seu tempo. Sofreu abalos sim! Foi machucado e maltratado como todo cachorro de rua mas encontrava sempre o tapete, a água e a comida gosotosa naquela casa ampla. E o sorriso sincero da menina. Apaixonou-se por ela! Amor correspondido na hora.
Numa tarde de sol surge a fadinha peluda e lhe informa que já podia se transformar em gente pois tinha conseguido ser verdadeiramente amado. Duende, já chamado de Toquinho, meio manquitola, sentiu um aperto no coração canino. Se se transformasse em gente, será que a menina continuaria a amá-lo? E onde renasceria? Nada lhe garantiam sobre isso! Pensou muito (e rápido porque cachorro pensa muuuuuito rápido!!!) e decidiu continuar cachorro.
- Mas não pode, disse a fadinha peluda. Está escrito na sua ficha que deve ser transformado em gente ou volta a ser duende.
Que desespero tomou conta do Toquinho! Pelos ossos sagrados ..... que fazer? Não queria e não queria deixar de ser cachorro. Isso era problema da fada e ela que se arranjasse pois ele ficaria cachorro. AU!
A fadinha peluda pensou, pensou e resolveu consultar seu micro de bolso. Entrou na internet das fadas.com.br e falou com a fadona principal - a fadamaster. A resposta veio pelo satélite fadal1. Se o duende... quer dizer o cachorro... quer dizer.... o Toquinho quiser continuar cachorro ele tem que morrer essa vida de duende-cachorro sem se transformar e renascer só cachorro.
Imediatamente Toquinho correu na frente do carro e se jogou. Seu corpo ficou ali, mas ele, invisível como todos os cães que vão renascer, foi colocado pela fada peluda dentro de uma barriga canina onde filhotes estavam sendo formados. Vai renascer em breve e bem pertinho da menina. Está ansioso e me pediu para contar isso para ela. Como reconhece-lo? Ela saberá quando o encontrar e o olhar. É sempre assim no mundo mágico dos cachorros.
E a menina, o Toquinho, a cidade e o mundo das pesssoas que são corajosas o suficiente para se exporem ao amor dos animais, serão novamente felizes.



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