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1. ECTOPARASITOSES:


















CARRAPATOS

São os CARRAPATOS descritos em Zoologia na Ordem dos Acarina, e encontram-se difundidos por toda a Terra, e concomitantemente à sua atividade hematófaga, intervém também como transmissores de muitos outros agentes causadores de doenças, como vírus, bactérias, protozoários e riquétzias, funcionando portanto como vetores de doenças, tanto aos animais como ao homem.

Geralmente têm a forma oval, e quando em jejum são planos no sentido dorso-ventral, porém quando repletos de sangue de seus hospedeiros, pois é o sangue seu alimento, apresentam-se então convexos e até esféricos.

Algumas espécies podem ter até 25 mm de diâmetro, e sua carapaça quitinosa de revestimento, verdadeiro exo-esqueleto, é firme e resistente, relativamente à sua pouca espessura.

Algumas espécies permanecem toda vida adulta sobre seus hospedeiros, e por isso classificados como parasitas permanentes, outros abandonam-no após haverem sugado sangue e então são classificados como parasitas temporários, melhor dizendo, ecto-parasitas temporários, pois vivem na cobertura pilosa dos mamíferos, seus hospedeiros, apenas parte de seus ciclos biológicos de vida.

Os danos que podem causar à saúde de seus hospedeiros, são de :

  • Natureza espoliativa - pela quantidade de sangue que podem retirar no ato de sugar, o que é diretamente proporcional não só a quantidade de carrapatos presentes sobre o hospedeiro, como também à sua voracidade e tamanho;
  • Ação tóxica - causada pela natureza da saliva dos carrapatos, que para sugarem sangue por assim dizer injetam sua própria saliva no ponto em que introduzem seu aparelho sugador, para impedir a coagulação do sangue de suas vítimas, e essa saliva muitas vezes pode causar ação não apenas irritante como também tóxica ou alérgica;
  • Ação patogênica - conseqüente à possibilidade que existe de se encontrarem infectados por agentes outros causadores de enfermidades, taiscomo vírus, riquetzias, etc. e então transmitirem junto à picada também moléstias outras;

Concomitantemente ao parasitismo por carrapatos, evidencia-se uma imunidade específica nos animais atacados, estando os animais velhos mais protegidos que os jovens, e os importados menos que os autóctones de uma determinada região, à uma determinada espécie também de carrapato.

Dentre as espécies mais comuns, podemos citar:

  • Argas - Com o denominado A. persicus, que ocorre em todo o Brasil, e parasita preferentemente aves domésticas e selvagens, além do homem. É o transmissor para as aves, da Espiroquetose aviar. Transmite também à pombos, infecção paralítica (Salmonella typhimurium), que pode permanecer latente vários meses nesse parasita.
  • Dermacentor - Neste gênero, está incluído o:
    Dermacentos marginatus - Hospedeiro do cavalo, cão e ovelha, é encontrado na Alemanha e zonas pantanosas do Hesse, além da Hungria, onde é apontado como transmissor da Piroplasmose esporádica do cavalo (Babesia caballi).
    Dermanyssus gallinae - Vulgarmente chamado de ácaro vermelho das aves, vive geralmente em galinheiros sem higiene, atacando pombos e galinhas, além de faisões, patos, gansos e aves canoras engaioladas; Durante o dia permanecem escondidos em fendas das instalações onde as aves se alojam, para saírem a noite, para saciarem seu apetite de sangue, retornando a seus esconderijos quando o estômago estiver cheio.
    Haemaphysalis - Encontrado na Alemanha e no Oriente Médio, sendo o transmissor da Febre Q.
    Hyalomma - Geograficamente encontrados na África, Ásia e região mediterrânea da Europa, na maioria dos casos utilizam-se de dois hospedeiros, principalmente cães e outros carnívoros e são transmissores da babesiose ao cão e aos eqüinos , assim como a Teileriose.
    Ornithodorus - Este parasita localiza-se quase sempre no pavilhão auricular de seus hospedeiros, e lhes transmite a febre recorrente, causada por um espiroqueta e também a Febre das Montanhas Rochosas (Riquetziose) nos EUA.
    Rhipicephalus - O exemplar mais importante desse gênero, é o Rhipicephalus sangüíneas transmissor da Teileriose e Piroplasmose ao cão. É encontrado no Brasil e na África , e em algumas zonas temperadas do mundo.
    Ixodes - Encontrado parasitando os mais diversos animais mamíferos, inclusive aves domésticas e selvagens, répteis e o homem. A ação tóxica manifesta-se clinicamente por reações cutâneas com prurido e eritema, febre, podendo chegar até a paralisias com contraturas, algumas vezes podendo ter curso mortal.
    A encefalite humana, pode ser transmitida inclusive por carrapatos, a partir de portadores do vírus, tais como toupeira, ratos e aves, ao serem sugado sangues contaminados.
    A espécie Ixodes ricinus - assim como outras espécies do gênero Dermacentor, são os causadores da moléstia denominada Paralisia por carrapatos, em várias espécies animais, sobretudo na ovelha e no homem (crianças);
    Parece somente terem tal atividade as fêmeas de carrapato , pouco antes de iniciarem a postura, quando se fixando na região occipital, na proximidade da coluna vertebral próximo do centro respiratório, podem provocar falta de coordenação motora no ato de andar, com tombos e mesmo incapacidade de permanecer em pé, seguindo-se vômitos e até morte do doente.

O diagnóstico da infestação por esse parasita é muito fácil, efetuado pela simples visualização com vista desarmada desse hóspede, de permeio à pelagem ou plumagem dos animais, cuja presença também provoca coceira, a qual é concomitantemente notada nos hospedeiros, esta maior ou de menor intensidade, de acordo com a sensibilidade individual de cada hospedeiro parasitado. Quando o parasitismo é pequeno, a aplicação de graxas neutras, óleos ou glicerina, provocarão a oclusão dos estigmas respiratórios desses hóspedes indesejáveis, que após algumas horas facilmente se desprenderão dos locais em que estejam alojados.

Já sendo a infestação em grande quantidade , somente a aplicação de banhos sob a forma de imersão em banheiras especiais, denominados banheiras carrapaticidas, ou então a aspersão ou pulverização de substâncias especiais, denominadas carrapaticidas, poderá efetuar a eliminação desses hóspedes nocivos.

Até pouco tempo atrás era utilizado o arsênico como carrapaticida, porém devido os acidentes que ocorreram por incúria na sua aplicação, foi o mesmo abandonado como meio de tratamento; Algum tempo depois, também o DDT e o BHC, substâncias essas sintéticas cloradas e fosforadas foram também utilizadas como carrapaticidas, que também foram abandonadas pela ocorrência de intoxicações e mesmo mortes em animais tratados, e pelo efeito efetivamente cumulativo no organismo dessas substâncias.

Hoje, substâncias fosforadas sintéticas como o Assuntol, Trolene, Ruelene e Neguvon são as mais utilizadas como carrapaticidas em todo o mundo.

Para a prevenção dessa parasitose, os meios que melhor tem funcionado, são as aplicações sistemáticas de carrapaticidas nos animais. Para tal, as modernas banheiras carrapaticidas quer de imersão quer de aspersão ou pulverização são os melhores; As aplicações, devem guardar um intervalo característico para cada espécie animal, assim como ter-se em conta a espécie do carrapato a ser exterminado ou controlado.

Em se tratando de cães ou gatos parasitados por carrapatos , deve ser tomado especial cuidado na prescrição do inseticida a ser utilizado para seu combate, pelo fato de serem tais animais carnívoros, e por isso especialmente sensíveis às substâncias sintéticas cloradas ou fosforadas usualmente fabricadas para referida utilização. Além desse cuidado, redobrada atenção durante a aplicação do inseticida é também indicada, evitando-se que o animal ingira ou aspire o produto na hora de sua aplicação, sob pena de intoxicações muitas vezes graves causadas por tais produtos quando acidentalmente absorvidos.

Quando a infestação for leve, existem no mercado produtos específicos para cães e gatos, aplicados na forma de pulverização por todo o corpo do animal ou diretamente na nuca do mesmo, que se seguidas devidamente as instruções, não oferecem riscos de intoxicação ao animal.

Carmello Liberato Thadei (Médico Veterinário - CRMV-SP-0442).




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SARNAS EM GERAL

Com o nome acima são descritas várias moléstias causadas por parasitas que vivem na pele dos animais, portanto denominadas de ectoparasitoses, algumas ocorrendo exclusivamente em animais, outras tanto em animais como no homem, portanto se constituindo estas últimas de típica antropozoonose parasitária, da qual é exemplo a Escabiose, causada pelo Sarcoptes scabiei.
No gênero Sarcoptes foram já descritas as espécies abaixo, que parasitam diferentes grupos de animais, porém a especificidade de cada espécie do parasita não é estrita à espécie em que é parasita habitual, podendo serem encontrados indistintamente parasitando outras espécies animais, o que é facilmente observável em jardins zoológicos, onde coabitando o mesmo local diferentes espécies, são os parasitas quando ocorrem, facilmente transmissíveis à outras espécies de hospedeiros para os quais não são habitualmente parasitas.

Parasitando Ruminantes Sarcoptes bovis
Sarcoptes ovis
Sarcoptes caprae
Sarcoptes rupicaprae
Parasitando Suinos Sarcoptes suis
Parasitando cavalo Sarcoptes equi
Parasitando carnívoros Sarcoptes cani
Sarcoptes scabiei
Parasitando coelhos Sarcoptes cuniculi
Parasitando roedores Sarcoptes anacanthos

Quando se estabelecem os ácaros na pele do hospedeiro, inicialmente perfuram e eliminam as escamas da camada córnea superficial da epiderme, e a través dos extratos seguintes da pele, denominados lúcido e granuloso, chegam ao extrato espinhoso, onde situam-se os linfáticos; Nesse caminho, a secreção salivar do parasita dissolve a queratina que dá resistência à camada superficial córnea; Estabelecem-se os parasitas em geral no estrato espinhoso da epiderme, ali pondo seus ovos; A camada mais profunda da epiderme, denominada germinativa, responsável pela regeneração da pele, reveste nessa fase, os trajetos perfurados pelo ácaro, com uma parede cornificada, provocando assim esfoliação das camadas superiores; Nóvas lâminas de camada córnea são geradas em reação defensiva frente aos ácaros, aos quais tenta o organismo bloquear, resultando disso tudo maior vascularização da epiderme com conseqüente rubor e calor, o que vem a se constituir no chamado Postulado de Vischow: ( rubor, calor e dor ), o que expressa a inflamação.
Com a penetração do parasita a través da epiderme são levados germes existentes normalmente em sua superfície, assim como no corpo dos próprios invasores para as camadas mais profundas da pele, e assim infeções secundárias se estabelecem nesse local, pondo de alerta as defesas naturais do organismo parasitado, que agora passa a combater não apenas um invasor parasita, mas também um invasor bactéria ou fungo, e assim vão as coisas se complicando para o organismo parasitado, que caso vença a guerra, pois trata-se de verdadeira guerra para sobrevivência de uma das partes, sobrevem cura da infeção e do parasitismo, ou caso contrário, morte do hospedeiro, e com isso também do parasita. Algumas vezes se estabelece verdadeiro equilíbrio entre os exércitos em luta: O parasita se contentando em parasitismo apenas parcial e o organismo parasitado cercando com suas defesas naturais o invasor, e assim estabelecendo uma harmonia entre as partes, e coexistência tolerável.
O sarcoptes pode espalhar-se por toda a superfície da epiderme de seu hospedeiro, porém certas regiões são respeitadas pelo parasita, tais como a base da crina no cavalo, base da cauda e zonas de flexão de algumas articulações dos membros locomotores.
A partir de 50-100 ovos postos por fêmea do parasita, com tamanho de 150X100 micra, nascem após 12 dias as larvas, as quais em quatro dias se convertem em ninfas, e estas sofrem uma ecdise (muda de pele) se são machos, e duas ecdises se fêmeas; Parte delas realizam então a primeira cópula, e ao fim de 7-12 dias se transformam em ácaros adultos, capazes de repetir novamente novo ciclo biológico.
O desenvolvimento completo do parasita depende da temperatura e da umidade em que os mesmos se encontrem, e leva em torno de 2-3 semanas. Há uma relação de 1 macho para cada 2 fêmeas mais ou menos constante durante o parasitismo, e sua vida dura em torno de 3 a 6 semanas para a fêmeas e 5-6 semanas para os machos. Já fora de organismos, em vida livre, sua vida não ultrapassa 3-4 semanas e tanto mais breve quanto mais seco o ambiente. Alguns dias após seu nascimento, as larvas abandonam as galerias em que nasceram, o que acontece também com os machos, e algumas vezes o mesmo acontecendo com as ninfas, migrando para a superfície da pele, o que sob o ponto de vista terapêutico é importante, devido tornar mais fácil e eficiente o tratamento local. Já as fêmeas, continuam nas galerias profundas, dificultando a ação dos medicamentos sem poder de penetração até esses locais.

Os conhecimentos anteriormente relatados a respeito dos hábitos biológicos do parasita, permitem inferir sobre a estratégia a ser adotada para o combate do parasitismo e dos seus agentes, os parasitas. Assim, a medicação a ser instituída para o combate dos mesmos, deve se processar em duas frentes: medicação que seja eficiente e mortal sobre as formas de localização mais superficial, a través de aplicação sobre a pele, e medicamentos de ação dita sistêmica, que tenha ação sobre as formas de localização profunda da epiderme, e portanto de aplicação oral ou injetável; Todos esses medicamentos, não obstante, devem ser inócuos ao animal hospedeiro, sob pena de matar-se além dos parasitas, também o hospedeiro.

Merece ser lembrada apenas como de valor histórico, a chamada Pomada de Helmerich - cuja base, o enxofre, foi um dos primeiros medicamentos instituídos ao combate do parasita.

Modernamente são prescritos medicamentos de aplicação local, a base de benzoato de benzila, que mata as formas superficiais do parasita, e quimioterápicos ativos contra o ácaro de localização profunda, alcançados por aplicação injetável.

Apenas a título informativo esclareço que as espécies de sarnas em seguida relatadas, tem hospedeiros exclusivos, que são habitualmente animais, ou então do caso da primeira citada, que é parasita também exclusivo do homem e não transmissíveis aos animais, e que no caso especial, não representa para o homem risco à sua saúde, mas apenas de efeito anti-estético.

  1. Demodex foliculorum - Parasita exclusivo do homem
  2. Demodex canis - Parasita exclusivo de cães, e excepcionalmente alguns outros animais, de tratamento dificil, devido sua localização profunda.
  3. Família Trombidiidae - Importantes, por serem hospedeiros de Richetsias.
  4. Gênero Psoroptes - Ácaros grandes, parasitas de animais.
  5. Gênero Chorioptes - Parasitas de animais, exclusivamente.
  6. Gênero Otodectes - Parasitas em geral da região das orelhas, em animais.
  7. Gênero Cnemidocoptes - Originariamente parasitas de animais.
  8. Gênero Notoedres - Normalmente parasitas de gatos e outros felideos.
  9. Gênero Tyroglyphus - Normalmente parasitas de alimentos, principalmente cereais, e mesmo queijos.

Nota - Com referência ao Demodex canis, que é um parasita exclusivo dos animais, não se transmitindo portanto ao homem, modernamente está sendo combatido por técnica eficiente, instituida por um professor da Faculdade de Medicina Veterinária da Unesp, em Botucatú, constituindo-se tal técnica por administração simultânea de Neguvon via externa e por via hipodérmica de um medicamento de ação sistêmica.

Carmello Liberato Thadei (Médico Veterinário - CRMV-SP-0442)




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PULGAS

Porque nossos bichinhos sofrem com elas?

As pulgas são pequenos insetos marrons e sem asas. Elas dependem do hospedeiro, que neste caso são o cão e o gato, para se alimentarem e se protegerem, permanecendo toda a sua vida nestes e em outros animais contactantes. Há mais de 2000 espécies em todo o mundo, porém, a Ctenocephalides felis felis é a espécie mais comum, prevalecendo em mais de 90% dos cães e gatos. A fêmea da pulga deposita seus ovos (brancos com 0,5 mm de comprimento) no animal e, como não se fixam, caem no ambiente onde apenas dependem da temperatura e da umidade para eclodirem em larvas, num período de até 10 dias. Estas aprofundam-se nos carpetes, cobertores e frestas de pisos, onde se alimentam de restos orgânicos e fezes de pulgas adultas. Em 5 a 11 dias formam um casulo onde ocorre a forma de pupa. A 27ºC e 80% de umidade ambiental, podem se transformar em pulgas adultas em apenas 5 dias. Porém, tal fato só ocorre se houver animais ou pessoas no ambiente; caso contrário as pulgas podem permanecer no casulo por até 140 dias. Normalmente o ciclo de vida se completa em 3 a 4 semanas e as pulgas vivem no animal por mais de 100 dias. A partir do quarto dia se alimentando do sangue do animal, cada fêmea produz , em média, 20 ovos por dia durante 21 dias. Se não interrompermos o ciclo, a infestação no animal torna-se extremamente incômoda e maléfica à sua saúde.
As pulgas são transmissoras de parasitas aos animais e ao homem. Quando ingeridas pelos cães e gatos no ato de se lamberem ou se mordiscarem, ou pelo homem acidentalmente, levam, para o intestino, a forma infectante do Dipylidium caninum, verme cestóide, semelhante à Tenia, "solitária" do homem. Constitui-se, portanto, numa zoonose e pode, nos animais, levar a emagrecimento, diarréia, perda de pêlos e até à morte se não tratada. O animal apresenta coceira na região anal, arrastando a região no chão, e ,às vezes, podem ser vistas as proglotes do verme, pequenos reservatórios de ovos, em volta do ânus ou nas fezes, semelhantes a grãos de arroz.
Os gatos, por sua vez, são vítimas de um parasita sanguíneo, chamado Hemobartonella felis, transmitido naturalmente pela picada da pulga, causando a doença denominada de Hemobartolenose. Os sintomas são perda de peso, fraqueza, depressão e falta de apetite, devido a uma anemia que pode se tornar crônica. Se não tratados, mais de 30% dos gatos podem vir a óbito.
Como se não bastassem as doenças acima citadas, o incômodo da presença das pulgas sobre a pele do animal pode ser agravado se este desenvolver alergia às picadas deste inseto. Tanto o cão quanto o gato são passíveis de manifestarem uma hipersensibilidade em que basta uma picada por semana para induzir a uma coceira insuportável, induzindo o animal a se ferir, muitas vezes gravemente, o que exige um tratamento urgente. Quando não tratada no início, a alergia torna-se crônica, levando a alterações irreversíveis da pele e da pelagem, além de poder alterar o estado emocional do animal, que permanece em constante estado de estresse devido à coceira incessante. O cão ou o gato, em alguns casos, passa a comer menos e torna-se deprimido ou agressivo, dependendo de sua personalidade. É também, muitas vezes, isolado do convívio familiar por causa das condições de sua pele, que pode apresentar descamação e infecções produtoras de odores desagradáveis.
Como todos podemos ver, as pulgas não devem ser eliminadas e evitadas por toda a vida do animal apenas por ser um inseto, mas sim por interferir significativamente na saúde e bem-estar dos nossos fiéis companheiros.

Como proteger nossos animais.

Visto que as pulgas são capazes de pular até 30 cm, não havendo portanto a necessidade de contato íntimo, o cão ou o gato podem adquiri-las passeando na rua ou no próprio quintal, prédio ou carro onde possam ter acesso outros animais. Daí a importância de oferecermos a eles mecanismos de combate e proteção contra as pulgas. Caso o animal já as possua, ou apenas se queira evitar, há um verdadeiro arsenal disponível, o que escolher? Para cada caso há uma solução mais adequada, dependendo do grau de infestação, do tipo dos ambientes em que vive e frequenta, do número e condições dos animais com quem tem contato e se é alérgico ou não. Tais fatores vão orientar o esquema de erradicação das pulgas quanto aos medicamentos e período necessários para tal.
Podemos encontrar uma variedade enorme de sabonetes, shampoos, pós, talcos, sprays e coleiras anti-pulgas, alguns para serem usados nos cães e gatos e outros nos ambientes, porém atualmente contamos com medicamentos mais modernos, seguros e eficientes. Em tal grupo encontramos o Frontline (Spray e Top Spot), o Advantage Spot On e o Program. O Frontline e o Advantage atuam matando as pulgas em até 24 horas, não sendo absorvidos pela pele, possuindo efeito contínuo por 30 a 60 dias, dependendo do produto e da espécie do animal. O Program interrompe o ciclo reprodutivo das pulgas, impedindo-as de se proliferarem, e encontra-se em forma de comprimidos para cães e líquido para gatos. Age durante 30 dias e possui uma substância que circula inativa pelo sangue do animal até ser ingerida pela pulga na picada.
A dedetização periódica dos locais frequentados pelos animais, desde que realizada por empresas especializadas, ou caseira com produtos idôneos, auxilia no controle das pulgas do animal devido à erradicação das formas intermediárias que se encontram no ambiente. No caso de serem utilizados aspiradores de pó com sacos não descartáveis, é recomendado colocar pó anti-pulga nestes para que não se tornem ninhos em potencial, devido ao calor e à quantidade de restos orgânicos acumulados.
É muito importante que se saiba que todos os produtos são capazes de induzir a intoxicações caso não sejam utilizados de acordo com as recomendações do fabricante, ou seja, algumas substâncias não podem ser ingeridas, utilizadas nos animais (só no ambiente), em filhotes de até uma certa idade, em gatos, em fêmeas prenhes ou em lactação ou em animais que possuam algum problema de saúde específico. Ou seja, além de proteger a saúde dos animais e das pessoas (que convivem com estes e/ou vão manipular os produtos), seguir rigorosamente as instruções da embalagem permite obtermos o máximo do efeito anti-pulga.
Se possível, este controle deve ser realizado continuamente, visto que não possuímos estações climáticas bem definidas, havendo períodos quentes até mesmo durante o inverno, que permitem a reprodução eficiente das pulgas. Devido à grande quantidade existente e ao constante surgimento de novos produtos anti-pulgas, recomenda-se consultar o médico-veterinário antes de adquiri-los a fim de se garantir o melhor resultado possível para cada caso, dependendo do grau de infestação, da espécie animal, da idade, do tipo de pelagem e do estado de saúde do nosso bichinho. O importante é não desprezarmos este pequeno inimigo, que, por viver há mais tempo que nós neste planeta, encontra-se muito bem adaptado ao nosso meio-ambiente, acompanhando-nos sempre que puder.
Vamos manter como companheiros apenas nossos cães e gatos?

Drª Gisela Mechlin Wajsfeld (Médica Veterinária - CRMV-SP 7250)




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PULGAS E CARRAPATOS: MÉTODOS DE COMBATE

1- Program: Uso no animal, interno
Mata as pulgas na fase de metamorfose, é larvicida, ótimo para limpar o ambiente, fica no cocô dos cães, mas não tem efeito sobre os adultos. não é tóxico, não tem efeito para o cão, elimina muitas espécies de larvas do ambiente.

2- Frontline (Spray ou Spot on): Uso no animal, externo
Não é um piretróide, é um princípio novo, só eficaz contra os insetos. Você pode mergular o cachorro em um balde de Frontline spray, não é tóxico. O produto se fixa no pêlo, e quando a pulga passeia pelo cão, ela remove o produto do pêlo e morre. Bem melhor para pulgas que carrapatos. Recomendado para filhotinhos e para quem tem filhotinhos humanos em casa. O Spray tem ação muito melhor que o Spot on (mais tóxico pelo agente do spot on). O Spray pode ser utilizado em cães desde que nascem, o Spot on não.

3- Pulvex: Uso no animal, externo
É um repelente de pulgas e carrapatos. Queima os pés dos parasitas e com isto os espanta. Apresenta também uma ação adulticida, mas a maior ação é de repelente. Parece que funciona melhor para carrapatos que para pulgas, mas é indicado para os dois.

4- Colares anti pulgas (Preventef ou Defender da Virbac, por exemplo): Uso no animal, externo
Com piretróides de eliminação lenta, matam as pulgas e carrapatos (4 meses), mas são princípios ativos tipo veneno mesmo. Não são muito recomendados para quem tem criancinhas brincando com os cães ou para filhotes. Pode se tornar perigoso se crianças ou animais comerem as coleiras (Parece impossível, né? Mas não é.)

5- Advantage: Uso no animal, externo
Tem um efeito imediato excelente, chegando a eliminar todos os adultos em menos de 24 horas, mantém efeito por 1 mês. Ótimo para grandes infestações no que se refere ao controle no animal. Ótimo quando alguém quer deixar o animal no seu hotel ou clínica, aplicado após um bom banho ou uma semana antes dele.

6- Preventic (colar), Triatox, Butox: Uso no animal, externo
É um piretróide de ação carrapaticida. Os banhos tem ação por 15 dias, o colar por 1 mês contra sarna, 4 contra carrapatos. Banhos muito comumente levam a um quadro de intoxicação, são hepatotóxicos. Use luvas se for utilizar o produto, faça as diluições certinhas.

7- Pulfin: Uso no animal, externo
É ótimo por uma semana, é um veneno mesmo, órgano fosforado, mas o efeito é muito curto para ser eficaz. O inconveniente é o cheiro. Somente para animais de mais de 6 meses.

8- Talcos e xampus: Uso no animal, externo
Ação imediata média, ação a longo prazo, nenhuma, não adiantam nadica de nada... se lembrarmos que menos de 1% dos parasitas estarão no animal na hora do banho e 99% delas estão esperando acabar o banho, sem falar de alguns anti-pulgas que você acaba o banho, vai secar e a pulguinha está limpinha, alegre pelo banho fornecido.

9- Bolfo plus spray: Uso ambiental.
Mata todos os animais da sala em 30 minutos, tem um potente veneno adulticida PERIGO, e permanece no ambiente com uma ação larvicida, extremamente segura, durante 2,5 meses.


A "receitinha do bolo"

No animal: (cães & gatos)
Colar Preventef ou Defender, Frontline, Pulvex ou Advantage - qualquer um destes.
Se aparecerem muitos carrapatos um banho extra com Triatox ou Butox (com muito cuidado com a dosagem), mas normalmente a coleira segura bem.

No ambiente: (casa, apartamento, etc.)
Bolfo Plus Spray- Primeiro tirar do ambiente todos os bichinhos das crianças: gerbil, calopsita, peixes, aranhas, passarinhos, iguana, etc. e depois aplicar o spray. Deixamos fechado por 30 minutos, abre-se para ventilar por mais 30 e pronto, está-se livres das pulguinhas mais 3 meses.
ATENÇÃO!!! Qualquer um que ficar no quarto depois de 5 minutos da aplicação, quando o princípio começa a evaporar, MORRE MESMO!

Dr. Ivo Hellmeister Canal - Médico Veterinário - USP/83 - Itapetininga - SP

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BERNE

    São tanto os bernes quanto as miíases (Bicheiras), causadas por larvas de algumas espécies de moscas, que pelo fato de serem carnívoras necessitam penetrar na pele de algum animal, para se nutrirem da sua carne, e assim cumprirem seu ciclo biológico, transformando-se em seguida em insetos adultos.
    Diferenciam-se os bernes das miíases cutâneas, além do fato de serem as larvas de espécies de moscas diferentes, pela particularidade biológica dos bernes serem encontrados sempre isolados - uma única larva em determinado lugar - nunca mais de uma larva num mesmo loco, a não ser quando pelas suas proximidades, poderem vir a se unirem os locais de ambos pelo desenvolvimento posterior das larvas; Já nas miíases cutâneas, além das larvas serem menores que as das larvas de moscas do berne, são encontradas larvas em número em geral grande, que chega até algumas centenas ,todas em comum no mesmo local da penetração, formando verdadeiras crateras na superfície do corpo de suas vítimas.
    São várias as famílias à que pertencem tais moscas, porém sob o ponto de vista clínico-parasitológico, são as mesmas agrupadas em dois grandes grupos:
  1. Larvas que se nutrem de tecido vivo - Larvas biontófagas;
  2. Larvas que se nutrem de tecido morto - Larvas necrobiontófagas.
    Como ressaltado anteriormente, são encontradas as larvas de moscas que constituem a doença com o nome de BERNE, sempre isoladas, em lócus individuais, por isso denominadas também de furunculosas, e pertencentes às seguintes espécies de insetos:
- Dermatobia hominis - Constitue-se a espécie tipo, que recebe no Brasil o nome de berne, e na região Amazônica o nome de Ura. Mede o inseto quando adulto, de 14 até 17 mm e chama a atenção o colorido metálico de cor azulada da sua região abdominal; O tórax castanho escuro com tonalidade azulada manchada de negro, apresentando as bochechas de cor amarelo escura e brilhante. No ano de 1911, Rafael Morales, estudante de medicina na Guatemala, descobriu por observação, que o ovo dessa mosca era transportado por outros mosquitos para os locais em que em seguida sendo depositado, vinham a reproduzir a doença.
    Como todo inseto, seu ciclo evolutivo passa por fases: Os insetos adultos alados, acasalando-se entre si dão origem a ovos que são postos pelas fêmeas, e destes em seguida nascem larvas, que no caso por serem carnívoras necessitam se alimentar de tecido vivo de outros animais, vindo então a parasitarem suas vítimas, constituindo-se essa fase propriamente o que é chamado de berne. Completado seu desenvolvimento no local em que se instalaram, essas larvas abandonam o local para continuarem seu desenvolvimento, transformando-se então em pupa, para darem em seguida origem ao nascimento de novos insetos adultos. Vinte e quatro horas após a mosca ter abandonado o invólucro pupal, efetua-se a primeira cópula, iniciando-se a postura no sétimo dia; Os ovos são depositados diretamente sobre a parte lateral do abdome de outros dípteros (insetos com duas asas), como moscas silvestres e mesmo a mosca doméstica (Musca doméstica). Daí o fato da Dermatobia procurar animais visitados assiduamente pelas moscas silvestres e por culicíneos (família a que pertencem os pernilongos).
    Segundo Neiva e Gomes, a Dermatobia fica a espreita de outras moscas e mosquitos e procura agarra-los com as patas anteriores, mesmo sendo eles de pequenas dimensões. Conseguindo apanhar um inseto, cavalga-o rapidamente, e presa à ele, alça o vôo durante o qual deposita seus ovos que ficam solidamente aderentes, graças à uma substância especial que os reveste.
    A Dermatobia põe em geral somente 15 a 20 ovos pôr vez, e pôr inseto que apreende, porém pode chegar sua postura até a 400 ovos. Estes outros insetos, e não a própria Dermatóbia são os veículos pelos quais a mesma se serve para levar seus ovos, e com eles, as larvas que vão em seguida, tendo contato com outros animais, e mesmo o homem, penetrar na sua pele, constituindo o que é denominado BÉRNE. No local em que se alojam referidas larvas após a penetração na pele, à custa da própria carne de suas vítimas vão se desenvolvendo, pois é o tecido vivo seu alimento; Ao cabo de 40 dias completado seu desenvolvimento, o que em alguns casos pode chegar a 70 dias, deixam o local em que estavam alojadas, e caindo no solo, transformam-se em pupas, a qual ao cabo de alguns dias dão nascimento ao inseto adulto, para novamente repetirem um novo e idêntico ciclo. A larva desta mosca é facilmente identificável peso seu tamanho, por ser das maiores que se conhece, em torno de até 10 mm e outras características só visíveis ao exame com lupa ou microscópio entomológico.

    Outras espécies de insetos parecidos com a Dermatobia, como as abaixo nomeadas, determinam doenças agora no aparelho digestivo de animais, com ciclo próprio de desenvolvimento:

- Gastrophilus veterinus e G. intestinalis - Ambos, em suas fases de larvas, têm localização no aparelho digestino de animais da espécie bovina.

- Gasterophilus haemorrhoidalis e G. nasalis - Os hospedeiros habituais são cavalos e outros equídeos. Quando adultos não se alimentam e por isso têm vida curta; As fêmeas põem os ovos nos pêlos dos animais e destes, as larvas que eclodem vão ter à boca, vivendo em túneis cavados no tecido sub-epitelial da mucosa bucal e da língua. Seu desenvolvimento larval completa-se no estômago ou nos intestinos, onde penetram na mucosa desses órgãos, provocando escaras que algumas vezes podem inclusive provocar perfurações com complicações graves pela associação com germes patogênicos contidos no interior do aparelho digestivo. Ambas podem provocar no homem, ainda que raramente, miíase do tipo larva migrans (Dermatose linear serpiginosa, também vulgarmente conhecida por JÁ COMEÇA no Rio de Janeiro, e COCEIRA DAS PRAIAS em S.Paulo).

- Hypoderma bovis - H.lineatum - As larvas desses insetos muito se assemelham às da Dermatobia, com a diferença de serem parasitas habituais de animais, principalmente bovinos. Causa prejuízos consideráveis ao couro dos animais explorados na produção de carne, pelo fato de seus couros ficarem danificados quando não imprestáveis ao aproveitamento na indústria do couro.

- Oestrus ovis - Estes insetos têm a particularidade de serem parasitas habituais de animais das espécies ovina e caprina, e com localização nasal em sua fase de larva. Já assinalado como hóspede do homem, porém sem haver chegado a sua fase adulta. Em ovelhas, têm localização sempre nasal, ou nos seios frontais e maxilares, causando forte irritação e excitação em seus hospedeiros, com sintomatologia que pode ser confundida com outras doenças.

Carmello Liberato Thadei - Médico Veterinário - CRMV-SP-0442.

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