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10. PROBLEMAS GENÉTICOS:

















DISPLASIA COXO-FEMORAL

A Displasia Coxo-femoral é uma doença degenaritiva e progressiva que acomete, principalmente, raças grandes como pastor, labrador e rotweiller, mas também aparece em alguns cães de raças médias e pequenas, como o cocker e o pug; não está, entretanto, restrita a essas raças.
Como todos sabem, ela tem o envolvimento de um componente hereditário. Isso, porém, não é tão simples nem tão conhecido assim. A doença consiste numa deformação e degeneração das articulações coxo-femorais (que ligam os membros posteriores à bacia), que pode ser gradual e em diversos níveis. Assim, um animal pode apresentar apenas uma leve manqueira ao andar, enquanto outro pode mal conseguir movimentar-se de dor! É aí que entram os fatores externos. Um animal que teria tendência a apenas apresentar uma leve manqueira, se for mantido num piso liso e escorregadio a vida toda, ou se for "entupido" de tanto tomar cálcio na infância, poderá vir a desenvolver um quadro muito mais grave. É aí que entram as classificações de displasia utilizadas por alguns clubes de raças (como o do Pastor Alemão).

RX cão sadio RX cão displasico
A esquerda RX de um cão sadio e a direita o RX de um cão displásico.
Observe o "encaixe" do fêmur e bacia.

Uma radiografia normal, dará ao animal o score de negativo para displasia. Já uma com uma levíssima displasia dará um score um pouco maior. Daí para diante, sendo que num grau máximo, o animal pode até apresentar luxação das articulações (o fêmur se desloca totalmente da bacia). Assim, os clubes da raça só permitem o cruzamento dos animais com um score máximo pré-determinado. Porém, devemos lembrar que o que dá o score ao animal é a radiografia E não os genes do animal. Assim, mesmo que um animal apresente uma displasia muito leve, na dependência do animal com que cruzar, pode gerar filhotes sem qualquer displasia ou até animais com graus mais graves, sobretudo se esses filhotes forem submetidos a fatores ambientais adversos (o tal piso liso!). O fato de cruzarmos animais sem displasia grave apenas aumenta as chances dos filhotes não a terem, não descartando definitivamente a doença.
Ou seja, tudo isso é para dizer que não existe displasia adquirida. Se um animal tem displasia coxo-femoral (aquela, com a degeneração das articulaçoes e tudo mais), é porque tem carga genética para tal. porém, todo animal mancando não vai passar displasia para seus filhotes, pois existem outros fatores que levam a manqueira de posteriores. Por exemplo: um animal que tenha sofrido um traumatismo (atropelamento, por ex.) pode ter uma luxação da articulação, semelhante àquela da displasia, mas não tem displasia, ou seja, não passará aos filhotes.
Da mesma forma, um animal que não tem a menor carga genética para ser displásico e for mantido a vida toda num piso escorregadio e fazendo exercícios inadequados, não terá nunca a displasia (aquela, das degenaraçoes articulares). Poderá ter uma série de outros problemas, como de coluna ou deformações de membros (não só dos posteriores), mas não terá a displasia. Porém, devemos alertar que não podem garantir que um animal não tem genes para displasia, mesmo que seus pais não sejam displásticos, pois essa herança depende de muitos genes e outros fatores.

Lucas de Carvalho Navajas (Médico Veterinário - CRMV-SP 11683)
Jundiaí - SP


Tratamento:

Quanto ao tratamento, temos várias opções, desde o tratamento cirurgico, até a fisioterapia; bem como o tratamento com medicamentos alopáticos e homeopáticos.
O tratamento cirurgico consiste em retirarmos a "cabeça" do femur. Deste modo não existirá mais o atrito entre o femur e a região da bacia que forma a articulação afetada. É um procedimento radical, devendo somente ser empregado quando já tivermos esgotado todas as outras possibilidades. Realmente, ao contrário do que possamos pensar, o animal exibirá um melhora, mas jamais ficará perfeito.
A fisioterapia consiste em exercícios para fortalecermos a musculatura local, de modo que essa consiga sustentar o quadril do animal. Quanto aos exercícios a serem empregados, existem controvérsias. Alguns indicam natação, enquanto outros indicam movimentação em pisos que irão requerer algum esforço, como areia de praia.
No que se refere ao tratamento alopático, atualmente dispomos de drogas à base de vitaminas e aminoácidos, que irão melhorar um pouco a área afetada, mas deverão ser usadas por toda a vida do animal; porém não tem qualquer contra-indicação. Utilizam-se tambem os anti-inflamatórios (normalmente à base de corticóides) e medicamentos para dor. Estes sim, apresentam inúmeras contra indicações e não tratam o problema, servem somente como paliativos.
Quanto à medicação homeopática, temos visto grandes resultados com o seu emprego nesta patologia, e sem nenhuma contra indicação. Esse tipo de medicação é prescrita baseada nos sintomas do paciente, não existindo "receita padrão"; ou seja, em homeopatia não existe remédio para a doença tal; e sim remédios para os sintomas tais. O animal displásico que sente mais dor ao levantar, e melhore com o movimento tomará um remédio e um outro animal que levante bem, mas com o movimento sinta mais dor, tomará um outro remédio.
Mas de todos os tratamentos, o homeopático é o que tenho visto conseguir melhores (e duradouros) resultados, chegando mesmo a realizar verdadeiros "milagres"; e sem nenhuma contra-indicação.

Neísa T. Lourenço (Médica Veterinária - UFF 1980,
Especialista em Homeopatia - IHB 1998)
Juiz de Fora - MG
neisavet@powerline.com.br
http://w3.powerline.com.br/neisavet


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