Vira-lata
O Site
Créditos
Prêmios e indicações
Livro de visitas
Mostre seu banner no VL
A lista
O que é a lista
Os cães participantes
Encontros VL
Instruções de uso
Ser Vira-lata é...
Adote um amigo
Leia antes de adotar
Procurando um novo lar
A quem recorrer
Formulário de doação
Campanhas
Adote um cão de rua
Anti cacas nas ruas
Contra a violência
Divirta-se!
Contos de focinhos
Downloads
Horóscopo canino
Dog Parade
Cães no computador
Receitas da tia Sheila
Você sabia?
Cartão postal
Patas na massa
Roupinha
Dicas
Sites
Adquirindo um cão
Atendimento 24 horas
Que nome dar?
Cães na TV
Cães feitos de letras
Onde ir com seu cão
Truques para o dia-a-dia
A linguagem canina
Cuidados e comportamento
Do cio ao parto
Cães de guarda
Dr. Carmello
Filhotes
Pronto socorro
Treinamento e psicologia
Posse Responsável
Cãosultoria jurídica
Deveres do dono
Leis de proteção
Em pauta
Homenagens
Altar Ponte do Arco-íris
Altar da recuperação
Amigo do cão
Canil de notícias
Cãorreio sentimental
Cãocurso
Forum
Pesquisa
Lord Cão News
Cinofilia
Novo!! Origem dos cães
Cães na História
Glossário
Informações gerais
Raças do mundo todo
Dr. Carmello


2. PARASITOSES VISCERAIS:


















DIROFILARIOSE

Com esse nome é nomeada a infestação de animais, por vermes do gênero Dirofilaria, que acomete principalmente o cão doméstico, o gato e várias espécies de animais silvestres.

Referidos vermes são classificados na Ordem Spirurida, super família Filaroidea, família Filariidae. Nesse gênero(Dirofilaria), foram já descritas várias espécies, entre as quais: Dirofilaria immitis (Leidy,1856), e a Dirofilaria repens (Railliet y Henry, 1911). Ambas em sua fase adulta localizam-se no coração, especialmente em sua porção direita, na artéria pulmonar e raramente outros vasos hemáticos e órgãos. Já foram encontradas parasitando animais na Europa(França, Itália, Espanha, Romênia ) e na Ásia.

Morfologia:Tem esses vermes quando adultos, a coloração esbranquiçada, são cilíndricos medindo entre 12-18 cm de comprimento por 700 a 900 micra de diâmetro.

Hospedeiro intermediário:Para atingirem completo desenvolvimento, passam esses vermes em seu ciclo evolutivo por um hospedeiro intermediário, que pode ser ou um mosquito do gênero Culex, ou carrapatos (Rhipicephalus sanguineus) e possivelmente também pulgas do gênero Pulex.

Dirofilariose - Ciclo evolutivo Ciclo Evolutivo: Do acasalamento entre os vermes adultos situados no interior do coração, resultam microfilarias, estas muito pequenas, medindo entre 218-329 x 5-6 micra, as quais são levadas pelo sangue do hospedeiro, com uma periodicidade característica em diferentes momentos do dia, para todo o corpo do animal. Sendo então o sangue do animal contendo essas microfilarias, sugado por um mosquito, pulga ou carrapato, passarão essas microfilárias para os intestinos desses hospedeiros intermediários(mosquito, pulga ou carrapato), e nestes, num período entre 5 e 10 dias completarão sua migração dos intestinos para os órgãos sugadores do mesmo. Num posterior ato de sugar um novo hospedeiro, que poderá ser ou o cão, o gato ou mesmo um animal selvagem receptivo, durante tal ato de sugar, rompe-se a membrana quitinosa da probóscida desse hospedeiro intermediário, chegando assim novamente ao hospedeiro definitivo através da picada, e deste local através do sangue ou linfa levadas novamente até o coração do animal, completando assim seu ciclo evolutivo. No coração, ao cabo de 7 a 10 meses tornam-se as microfilarias maduras sexualmente, para então recomeçarem novo ciclo evolutivo.

Dirofilariose - coração infectado Patogenia: A localização dos vermes adultos e sua intensidade, ou seja número relativo dos mesmos no interior do átrio esquerdo do coração, é que determinará a maior ou menor gravidade desse parasitismo. No interior do coração desenvolver-se-á uma endocardite crônica, podendo haver formação de trombos e embolias, com suas conseqüências gerais. Quando localizados nas artérias pulmonares provocam sua dilatação. Em casos de infestação leve são encontrados até 50 vermes adultos no interior do coração do animal parasitado. Em casos mais graves tal número poderá a chegar a várias centenas desses vermes.

Sintomatologia: Tosse seca, respiração entrecortada, emagrecimento e perda do apetite, edemas e até ascite. Durante o progredir da enfermidade ocorre febre, hematúria (sangue na urina), hiperhemia pulmonar, hipertrofia hepática(aumento do fígado) e esplenomegalia (aumento de volume do baço), prurido, aparecimento de nódulos cutâneos, e até convulsões do tipo epileptiformes e mesmo paralisia do trem posterior.

Profilaxia: Administração periódica de medicamentos comerciais do tipo Cardomex e Interceptor e outros, com ação sobre a fase larval do parasita adulto, ou seja, sobre as microfilárias, principalmente quando o animal estiver exposto a ser picado por possíveis insetos hospedeiros intermediários parasitados é uma tentativa de prevenção, aceita ainda com reservas para a profilaxia do mal.
Nota importante: Não administrar nenhum medicamento preventivo sem antes realizar exames que confirmem que o animal não está infectado

Carmello Liberato Thadei ( Médico Veterinário - CRMV-SP-0442 )
Imagens: Revista AnimaNews nº 7

Volta para Dr. Carmello Volta ao início da página




LEISHMANIOSE (Calazar)

É doença infecto contagiosa que pode ser classificada como zoonose, pelo fato de ser transmissível dos animais ao homem e vice-versa. O agente causal dessa zoonose é um protozoário e como tal microscópico. Tem a forma ovo-arredondada, medindo de 2-4 X 1,5 a 2 micra e possui além do núcleo um blefaroplasto, porém não possui flagelos.

São várias as espécies desse grupo capazes de causar a doença, sendo mais freqüentemente encontradas, as seguintes , assim como os nomes vulgares respectivos para cada uma de suas correspondentes doenças:

  1. Leishmania donovani (Laveran y Mesnil, 1903): Agente das Leishmanioses viscerais, Calazar Indiano, Leishmaniose Infantil da área do Mediterrâneo e o Calazar Americano ou Leishmaniose visceral americana.
  2. Leishmania canis (Cardamatis, 1911): Leishmaniose visceral dos cães e gatos.
  3. Leishmania infantum (Nicole, 1908): Calazar na área do Mediterrâneo, hoje reconhecidamente idêntico ao Calazar Indiano, de Wright.
  4. Leishmania tropical (Wright, 1903 ): Agente da Leishmaniose cutânea ou botão do Oriente, Botão de Biskra ou Botão de Aleppo.
  5. Leishmania braziliensis (Vianna, 1911): Determina a Leishmaniose tegumentar americana ou Leishmaniose cutaneomucosa, Espúndia, Uta, Úlcera de Bauru, etc.

Todas essas espécies de Leishmania já classificadas, têm em comum o fato de necessitarem para se reproduzir e atingirem a forma adulta, passarem por um hospedeiro invertebrado obrigatoriamente um mosquito díptero do gênero Phlebotomo. Tal característica de exigirem mais de um hospedeiro em seu ciclo evolutivo biológico, lhes conferem em Parasitologia a denominação de parasitas heteroxenos.

Mosquito Palha, transmissor Os mosquitos do gênero Phlebotomo, hospedeiros intermediários desses parasitas unicelulares causadores dessas doenças, são vulgarmente chamados no Brasil por Birigüis, Mosquito Palha, Mosquito pólvora ou Cangalhinha, por serem de pequeno porte, medindo em torno de 2 a 3 milímetros, portanto menores que um pernilongo comum. Tais mosquitos tem hábitos noturnos, atacando suas vítimas para sugar sangue em geral no entardecer e começo da noite e dessa picada transmitem para o novo hospedeiro (animal ou o homem ), a doença, que assume duas formas distintas :

  • LEISHMANIOSE CUTANEA OU TEGUMENTAR - Essa forma clínica da doença, admite-se ser autóctone do Continente Americano. Os Índios ceramistas, pré-colombianos do Peru, apresentam em seus vasos numerosos estados patológicos, de modo que o médico e o historiador encontram nesses "huacos" possibilidade de identificação de diversas enfermidades. No Peru é essa doença denominada Uta, assim parecendo não haver dúvida a respeito da existência da Leishmaniose tegumentar entre os habitantes da América Pré-colombiana. No Brasil, já no ano de 1885 foi a mesma observada e identificada ao Botão de Biskra, pelo médico Brasileiro A. Cerqueira. Em 1895, Breda, na Itália, descreveu-a em Italianos que, de São Paulo, haviam voltado para sua pátria. Em 1908, começaram a afluir à Santa Casa de São Paulo, numerosos doentes vindos das regiões assoladas pela doença e como em sua maioria fosse procedentes da região Noroeste (Bauru), ficou a doença conhecida por Úlcera de Bauru. Apenas em 1909, Adolfo Lindeberg noticiou a descoberta do parasita dessa doença, que ele identificou ao agente causal do Botão do Oriente, descoberta posteriormente confirmada pelos cientistas Brasileiros Cariai e Parnaso.
  • LEISHMANIOSE VISCERAL - O cientista Brasileiro Carlos Chagas, descobridor de todo o ciclo da doença que hoje leva seu nome (Doença de Chagas), percorrendo nos anos de 1911 e 1912 o Vale do Rio Amazonas, suspeitou da ocorrência do Calazar nessa região; Nome esse que também é sinônimo dessa forma clínica da doença. Evandro Chagas, irmão de Carlos Chagas, também cientista, é inclusive criador de um teste de soro-aglutinaçao para diagnóstico dessa doença, permitindo identificar as diferentes espécies de Leishmanias. Essa forma clínica (Visceral), é aquela freqüentemente encontrada entre os animais sensíveis como o cão ou o gato, além das cobaias utilizadas em laboratório.

Ciclo de transmissão

Transmissão: O mosquito hospedeiro intermediário, do gênero Flebótomo (Phlebotomo), cujo gênero foram já descritos várias espécies (P. Whitmani, P. Pessoai e P. migonei entre outros), ao sugar sangue de um animal (ou do homem) infectado, também se contamina e em seus intestinos e glândulas salivares esse protozoário se multiplica, sendo então as chamadas formas de leptomonas encontradas no buco-faringe desses mosquitos. Tais mosquitos, ao sugarem sangue posteriormente, pelo fato de por assim dizer injetarem na picada da pele sua saliva, por ser esta anti-coagulante e assim evitar que o sangue da sua vítima se coagule, injetam nesse ato também tais formas infectantes da Leishmania, a qual caindo na circulação sangüínea desse novo hospedeiro (chamado por isso hospedeiro definitivo), vai dessa forma reproduzir a doença, numa das formas clínicas anteriormente citadas.

Incubação e sintomas: O período chamado de incubação (período que vai da picada pelo mosquito infectado até o aparecimento dos primeiros sintomas) varia entre 10 e 25 dias, podendo, no entanto, chegar até um ano. Após esse período aparecem em geral pápulas na pele do animal ou do homem infectado, pápulas estas nada características, porém proriginosas (coçam) determinando sensação de calor e dor. Ocorre também nessa fase adenopatia (inflamação) dos gânglios próximos à picada do mosquito. Nessa ocasião, sendo feita punção desses gânglios inflamados, deverão ser encontradas as formas infectantes do protozoário. O gânglio linfático inflamado se necrosa e assim lesado, acaba por vir a furo para evacuar esse material purulento, ficando em seu local uma úlcera, denominada de cancro espúndico. Nessa forma clínica a doença nessa fase é facilmente diagnosticável pela exibição de úlceras cutâneas características. Em alguns casos, no entanto, a doença cutânea assume formas não ulcerosas, chamadas de impetiginoide ou tuberiformes, além de verrugosas e franboesoides, estas últimas assim denominadas pela sua semelhança com a fruta framboesa. O evoluir dessa doença, sem tratamento adequado, leva a lesões graves e deformantes, inclusive com perdas irrecuperáveis muitas vezes do nariz e da epiderme da face.
Na sua forma visceral, as lesões sendo internas, principalmente no baço, se traduzem por aumento de volume desse órgão (esplenomegalia), além de febre e dor abdominal. Sua evolução leva também a hepatomegalia (aumento de volume do fígado).

Profilaxia da doença: A mais eficiente medida de prevenção do mal, ainda é o combate ao mosquito hospedeiro intermediário, impedindo-o de se multiplicar, pela aplicação de inseticidas em seus criatórios. Paralelamente, isolamento dos hospedeiros definitivos enfermos, ou seu tratamento quando possível. Têm os mosquitos (Flebótomos), hospedeiros intermediários, uma característica peculiar: Atividade crepuscular e no início da noite, quando tem atividade intensa à procura de suas vítimas para serem sugadas, pois é o sangue seu alimento, ou melhor, apenas as fêmeas desses mosquitos nutrem-se de sangue. Já os machos desses mosquitos por terem vida curta, alimentam-se de frutas silvestres por breve período. Durante a fase do dia, procuram esses mosquitos abrigo ou no interior das residências ou em matas em local protegido dos ventos. São reqüentemente encontrados em tocas de outros animais como tatus, buracos em paredes de construções, ocos de paus ou bambus ou similares. Em matas fechadas, devido a pouca luz em seu interior, podem ser visto mesmo durante o dia, inclusive ativos, à procura de possíveis animais ou o próprio homem para serem sugados.

Ddiagnóstico: Existe um teste, criado pelo cientista Brasileiro Montenegro no ano de 1926, bastante eficiente. Trata-se de uma intradermorreação, chamada em sua homenagem por Reação de Montenegro, consistindo-se de uma simples reação alérgica, obtida pela inoculação por via intradérmica de uma suspensão de leptomonas às quais foi juntado o fenol para sua esterilização.

Tratamento: Vários medicamentos quimioterápicos, como o Tártaro Emético, Tartarato de sódio e antimonila, Fuadina, Eparseno (Amino-arseno-fenol), arsenito de sódio e o glutamato de antimônio sódico, entre outros, foram já utilizados, porem todos determinando paralelamente graves reações secundárias, o que inviabiliza seu tratamento, a não ser em pouquíssimos casos e nestes obrigando acompanhamento médico direto e permanente.

Vacinação preventiva:O médico Brasileiro Samuel Barnsley Pessôa, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, já falecido, no ano de 1939 empregou com sucesso uma vacina preparada por cultura do protozoário em suspensão fenolada, vacina essa aplicada em três doses. Tal vacina foi aplicada em localidade altamente endêmica, com pleno sucesso. Em animais, no entanto, ainda não empregadas por motivo que desconheço.

Carmello Liberato Thadei ( Médico Veterinário - CRMV-SP-0442 )


Volta para Dr. Carmello Volta ao início da página