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6. DOENÇAS INESPECÍFICAS:
OTITES
Otite é perigosa mesmo?
- O que é otite?
Trata-se da inflamação desse órgão da audição. E como o mesmo compreende várias partes, necessário se faz seu conhecimento anatômico.
- Qual é a anatomia do ouvido?
Pode ser dividido, para efeito didático, em ouvido externo, ouvido médio e ouvido interno, porém, interligados entre si. O ouvido externo compreende o pavilhão auricular (orelha), o meato acústico externo também chamado de canal auditivo externo e o tímpano, este último uma membrana delgada que, por assim dizer, separa o ouvido externo do médio. O ouvido médio é a câmara onde situam-se três ossículos (martelo, estribo e bigorna) interligados entre si e que servem como meio de ligação com o ouvido interno. Nessa câmara onde situam-se referidos ossículos, existe um canal de ligação do ouvido médio com o faringe, denominado Trompa de Eustáquio. O Ouvido interno é a parte mais especializada e portanto também a mais delicada e importante de todo o ouvido, onde existem os chamados Canais Semicirculares, a Cóclea e o Nervo acústico, este último ligando todo o conjunto diretamente ao cérebro. Notaram todos portanto, que conforme sejam atingidas essas diferentes porções do ouvido, a otite se revestirá de maior ou menor gravidade, recebendo também denominações diversas, como otite externa (apenas ouvido externo inflamado), otite média (apenas ouvido médio inflamado) e otite interna (esta a mais grave pois atingindo os canais semicirculares determinará transtornos do equilíbrio, por ser esse o órgão responsável pelo nosso sentido espacial. Atingindo a cóclea, será a doença denominada labirintite (devido ser tal órgão também chamado de labirinto), e assim por diante.
- O que causa a otite?
Podem causar otites, germes ou fungos infecciosos quando nesse órgão instalados, que podem ali penetrarem, tanto através do exterior pelo canal auditivo externo, quanto também através da faringe pela Trompa de Eustáquio.
- Como podemos prevenir essa doença em nossos cães?
>Primeiro, cuidando da limpeza do canal auditivo externo e das próprias orelhas de nossos cães e em segundo lugar, cuidando e tratando quando os mesmos são acometidos por doenças da garganta, pois daí também pode a infecção progredir e atingir o ouvido.
- Como proceder para a boa limpeza dos ouvidos dos cães?
Com um cotonete para os cães pequenos ou um chumaço de algodão na ponta de uma haste flexível ou pinça para cães de maior porte, umedecemos esse algodão com uma solução de alcool-éter (em partes iguais) e com esse cotonete limpamos e removemos a cera existente no conduto auditivo e nas próprias orelhas dos cães. Especial cuidado na limpeza do conduto auditivo externo, em sua parte mais profunda, a fim de não lesar o tímpano ali localizado. A freqüência com que essa limpeza deve ser feita, dependerá da raça de seu cão:
>Os cães das raças que tem as orelhas eretas, como o Pastor Alemão, necessitarão de limpezas mensais. Já os cães de raças que tem as orelhas caídas, como aqueles da raça Cocker Spaniel, a limpeza deve ser feita mais freqüentemente (cada 7 ou 10 dias).
- Como perceber se meu cão está com otite?
O sintoma mais evidente é o ato do mesmo coçar com as patas tal região da cabeça ou então sacudir freqüentemente a cabeça. Mais evidente, é quando ocorrer secreção purulenta pela orelha, o que denota a infecção já estar ali instalada e latente e quando a otite é unilateral (apenas um dos ouvidos), o ato do cão manter a cabeça inclinada para esse lado inflamado.
- Como tratar um cão com otite?
Muitas vezes o simples ato de proceder à limpeza dos ouvidos, quando a otite é apenas externa, é suficiente para sanar o mal. Porém, quando a infecção já atingiu o ouvido médio ou o interno, necessário se faz tratamento mais especializado, inclusive com administração de antibióticos por via geral (parenteral ou oral) e mesmo nebulizaçes da garganta com medicação apropriada. Nessa caso, a recomendação, é que procurem um veterinário competente, que este deverá estar capacitado para lhe indicar a melhor terapêutica.
Apenas uma recomendação final: Nada de pânicos em caso de otites, pois tenha em mente
que o próprio organismo animal tem meios de defesa tanto para essa quanto para outras infecções.
Cuide de seu animal como cuida de si mesmo, com cuidado e atenção, tanto quanto seu asseio quanto
sua alimentação e propiciando ao mesmo exercícios físicos e carinho. Nada além disso.
Carmello Liberato Thadei (Médico Veterinário - CRMV-SP-0442).
QUEDA DE PÊLOS EM CÃES
As quedas de pêlos podem e ocorrem por várias razões. Uma delas
é a chamada queda fisiológica, que ocorre normalmente por envelhecimento do próprio
pêlo ou de seu folículo (raiz) e assim esse pêlo cai para ser em seguida substituído por
outros. Essa queda fisiológica anteriormente referida ocorre em geral no verão e não é
localizada (num único local da pelagem) mas generalizada, isto não querendo dizer que o animal se
torne careca, pois essa queda é rarefeita e é percebida apenas com cuidadosa observação,
pelo fato da pelagem ficar menos densa.
A queda chamada patológica (alopecia), que é a queda anormal, têm
várias causas. Entre elas, doenças do próprio pêlo ou da pele do animal, tais como
micoses, sarnas, eczemas, enfim uma variedade enorme de causas diretas no epitélio de revestimento
animal. A queda de pêlos também pode ocorrer de forma indireta, por doenças nutricionais
ou mesmo infecções. Entre as doenças nutricionais que podem determinar queda de pêlos
pode-se citar a simples avitaminose A. Estando essa vitamina A ausente ou em quantidade insuficiente na
alimentação do animal, essa vitamina chamada de protetora dos epitélios, poderá haver
simples perda de seu brilho e resistência, culminando até por sua queda. Insuficiências de
determinados sais minerais na alimentação, pode ter por conseqüência também
queda de pêlos. Até simples falta na alimentação de determinados aminoácidos,
que como é sabido são por assim dizer os tijolos que formam as moléculas de proteínas
mais complexas, podem também determinar queda de pêlo.
Infecções, pelo fato de determinarem febre, poderá ser também
uma causa de queda de pêlos. Em vista desses diferentes fatores, observe a pelagem de seu cão: Caso
a queda de pêlos seja localizada, formando verdadeiras "ilhas" (sem pêlo), isto requer imediato tratamento
de acordo com sua causa, sendo em geral originada por parasitas (fungos, sarnas ou outros parasitas). Caso
não seja imediatamente tratada quando parasitária, há o risco inclusive do parasita se alastrar
ou mesmo se propagar a outros seres suscetíveis, como o próprio homem, no caso de se tratar por
exemplo de uma micose tricofítica ou uma sarna por Sarcoptis scabiei (Escabiose).
Já quando a perda de pêlos ocorrer de forma generalizada, determinando
apenas uma rarefação da pelagem (ficando a mesma menos densa), caso a mesma seja discreta e
sem perda de brilho, trata-se de uma queda fisiológica e em geral ocorre durante a estação do
Verão. Porém, quando essa queda é generalizada, tornando a pelagem além de rarefeita
também o pêlo perdendo seu brilho, sua causa é geral. Neste último caso, apenas um
cuidadoso exame das condições gerais do animal poderá elucidar sua causa específica
ou suas causas. Existe também, um quadro mórbido chamado de Alopecia areata, cuja causa é
nervosa, causando também queda localizada de pêlos.
P.S. - Deve também ser observado pelo dono ou tratador do animal, se
concomitantemente à queda de pêlos existe prurido (coceira), por ser este um importante sintoma
complementar para diagnóstico, além de possível rubor da pele (avermelhamento) ou
mesmo inflamações nessas áreas da pele onde ocorre tal perda de pêlos. Para dizer
se a pele esta ou não inflamada, observe e coloque mesmo sua mão para sentir se há calor
anormal nessa área glaba (sem pêlo), pois a inflamação se faz sempre acompanhar de
três sinais importantes : DOR + CALOR + RUBOR.
Carmello Liberato Thadei (Médico Veterinário - CRMV-SP-0442).
COPROFAGIA
O ato de comer fezes pode ter origem em causas físicas ou comportamentais.
Dentre algumas causas físicas, posso citar:
- Verminose intestinal - mesmo o animal sendo vermifugado, alguns vermes só respondem bom se dermos o vermífugo específico, por isso, o melhor é um exame de fezes.
- Protozoose intestinal - os vermífugos convencionais não agem contra protozoários, temos que fazer uma medicação específica para ele. O único modo de termos certeza se ele possui protozoários seria com um exame de fezes.
- Deficiência enzimática - produz um desequilíbrio na absorção e metabolização dos nutrientes, e com isso o animal não aproveita tudo o que come. P diagnostico é feito por exame de sangue, pela dosagem das enzimas digestivas no sangue.
- Alimentação inadequada - quando na alimentação faltam substâncias importantes para o desenvolvimento do cão.
E sobre as causas comportamentais...
- Podemos ter um animal que, ao ser ensinado a usar o "banheiro", ficou traumatizado e agora come as fezes como uma tentativa de esconde-las.
- Podemos ainda ter um animal necessitando de atenção. O fato de comer as fezes fará com que, de alguma forma, o dono preste mais atenção a ele; é como aquele ditado: "falem mal, mas falem de mim".
- Também podemos ter um animal que aprende a "limpar" o ambiente das fezes pelo simples fato de que nos vê fazendo isso, ou seja, chegamos lá onde está o coco, e o retiramos, sumimos com ele, então o cão passa a fazer a mesma coisa.
A primeira regra então é jamais limparmos o coco na presença do animal.
Não podemos simplesmente querer acabar com o problema, temos que determinar a
causa e trata-la. O primeiro passo é pesquisar possíveis causas físicas, através de exames de fezes e de sangue, e
descartar as causas alimentares.
Neísa T. Lourenço (Médica Veterinária - UFF 1980,
Especialista em Homeopatia - IHB 1998)
Juiz de Fora - MG

CATARATA
O olho: tanto o humano, quanto o de qualquer outra espécie têm a mesma anatomia básica de uma
câmara fotográfica: Uma sala escura, um orifício de entrada de luz (pupila), uma lente (cristalino), uma tela de
projeção (retina). Neste caso, a lente (cristalino) é embutida, ou seja, lá dentro do olho. Para tampar o orifício de
entrada de luz de forma a não atrapalhar temos a córnea, que são as três camadas de filmes transparente mais
externas do olho.
A Catarata não é nada mais que o "embaçamento" do cristalino. Ora, se o cristalino (lente) está embaçado,
esbranquiçado, a luz ainda assim passa, só que não de maneira a formar uma imagem na tela de projeção.
Nestes casos, o máximo que se pode é perceber se estamos em um ambiente claro (o cristalino brilha) ou
escuro (simples ausência de luz).
Tem-se que sempre estar diferindo os esbranquiçamentos da córnea, superficial, e do cristalino, mais
profundo.
As causas do aparecimento da catarata podem ser diversas, algumas controláveis, outras não. Comentemos
algumas: A predisposição familiar (genética associada), tanto da lesão em sí como dos quadros de diabete doce,
que também provoca de forma secundária a catarata por aumento do nível de açúcar do meio; uso de drogas,
como o exemplo do Disofenol, que provoca um esbranquiçamento temporário do cristalino, etc.
Os processos de catarata tendem a se agravar com a idade, mas já temos visto vários casos de cães que
antes de atingirem a idade de um ano já apresentam seu cristalino completamente opaco.
Tratar-se de um cristalino opaco é praticamente impossível até hoje. Existem colírios e medicamentos que
retardam o aparecimento das lesões, mas uma vez a catarata já instalada, a opção passa a ser cirúrgica: abre-se
o olho, removendo a lente (cristalino). Esta é uma cirurgia muito delicada, realizada por cirurgiões veterinários de
grande habilidade. Tem um índice de sucesso de oitenta por cento nos melhores centros deste planeta.
É muito interessante aqui notarmos que os cães, enquanto caçadores são míopes, tem visão curta, não
enxergam bem, motivo pelo qual sua melhor memória não é visual, mas sim olfativa. Ora, se míope, as imagens
em seus olhos se formam antes da parede de projeção (retina). A remoção do cristalino nestes casos melhora
lhes a acuidade visual para perto, já que seus olhos passam a funcionar como aquelas velhas máquinas fotográficas
tipo caixão, aquelas dos tempos do "flash" com explosão de magnésio, do início do século XX, não sendo necessário
portanto a implantação de novas lentes.
Quaisquer dúvidas ou informes deixaremos nosso endereço à disposição:
canalvet@ebras.com.br. Consulte-nos, Nós lhe responderemos
da melhor forma possível.
Dr. Ivo Hellmeister Canal (Médico Veterinário - MV/USP/83)
Itapetininga - SP

ASCITE
A ocorrência da chamada Barriga d´água em cães deve merecer especial atenção e
cuidado do criador ou proprietário do animal, já que pode significar doença grave e muitas vezes contagiosa, não
apenas para outros animais como também inclusive para o homem, e neste último caso tratando-se de uma zoonose.
Quando presente, além do ventre do animal apresentar-se aumentado de volume, esse
aumento de volume muda de localização quando é levantado o animal, por exemplo, apenas sua porção anterior do
corpo, quando então se nota que esse aumento de volume desloca-se para a parte mais baixa do abdome.
Colocando-se as mãos espalmadas, uma de cada lado do ventre do animal e com ligeira pressão, nota-se flutuação
no interior do abdome, o que comprova estar o ventre contendo líquido, líquido esse denominado ascítico, já que a
Barriga D´água é cientificamente denominada ASCITE.
Para se saber da natureza desse líquido, o que inclusive serve de teste comprobatório
da ASCITE, é necessária punção com uma agulha grossa ou mesmo um trocater da cavidade abdominal, e assim
obtendo-se o líquido chamado ascítico, que servirá para os testes em laboratório da natureza da doença. A simples
mensuração de sua densidade, o que é chamado de Prova de Rivalta, serve de meio diagnóstico para se sabe
se esse líquido é um EXSUDATO, portanto resultante de uma inflamação existente na cavidade, ou de um simples
TRANSUDATO, e neste último caso conseqüente a alguma doença chamada orgânica. Em ambos o caso, deve então
ser pesquisada a causa da ascite, que na realidade é um sintoma de outra doença, e não uma entidade nosológica
própria. Solicite de seu Médico Veterinário que efetue esses necessários exames complementares, para elucidação
da causa real do mal, e assim tornar possível seu tratamento conveniente.
Algumas doenças parasitárias com sede no fígado são a causa mais freqüente em
animais novos, da ascite, podendo serem encontrados os parasitas no sedimento do líquido ascítico, como é o caso
por exemplo, da Tênia Equinococus. Porém não são unicamente vermes que podem determinar a ascite, pois
existem outras causas inclusive infecciosas, daí fazer-se necessária pesquisa acurada do líquido ascitico, e em alguns
casos cultura do esmo em meios bacteriológicos de cultivo apropriados para elucidação diferencial diagnóstica.
Casos de tuberculose digestiva são em cães outras possibilidades de aparecimento de
Ascite. Inflamação peritonial (peritonite), também determinam o mal. Tumores localizados no fígado, ou outros órgãos
de localização abdominal, também levam ao aparecimento da Barriga D´água, daí somente um acurado exame geral
do animal, acompanhado de testes complementares para elucidação diagnóstica.
Algumas doenças orgânicas, como, por exemplo, à insuficiência cardíaca, também pode
levar ao aparecimento de ascite, motivo pelo qual só um Médico Veterinário tem condições de elucidação da causa
real do mal, para seu conveniente tratamento, além de orientação de seu proprietário quanto aos riscos da doença
por ventura existentes, inclusive sua possibilidade de contágio humano.
Carmello Liberato Thadei (Médico Veterinário - CRMV-SP-0442).
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