Vira-lata
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Depoimentos:



     Quando eu tinha dez anos de idade comecei a pedir na minha mãe um cachorro mas ela não queria, eu pedi tanto que um dia quando eu cheguei da escola eu pedi para ir na casa de uma amiguinha e minha irmã disse que eu só poderia ir depois que eu fosse ver o que tinha para mim no quintal.
     Era Dandara, uma vira-latas amarelinha, magrela que minha irmã havia pego em frente a um açougue aqui perto de casa. Hoje Dandara já está velhinha, tem 10 anos, e é a melhor amiga que eu tenho. Graças a ela vou fazer vestibular para veterinária para um dia poder cuidar de todos os amiguinhos dela!
Dandara e Princesa      Há dois anos atrás apareceu outra cachorra aqui perto de casa que teve cria aqui por perto. Começamos a dar carinho e ela passou a ficar aqui por perto de casa e nos seguia quando saíamos.
     Ela passou a "vigiar" a nossa casa, tentando morder os que passavam por aqui e por esse motivo ela acabou sendo adotada também. O nome dela é Princesa e ela se dá muito bem com a Dandara!!!
      Se eu tivesse mais espaço adotaria muitos outros cães de rua pois eles são muito carinhosos!!!

Janaina Heringer
11 de Março de 2001




     Há 5 anos atrás perdi 2 Basset (Fantasy e Randholf), jurei que nunca mais teria outro cão, porque sofri muito com a morte deles.
     Até hoje ainda sinto um nó na garganta quando me lembro deles (muita saudade!!). Bem, 2 meses depois uma cachorrinha (filhote ainda) entrou em minha casa por baixo do portão da garagem e não havia quem a convencesse a não entrar.
     Pois bem, deixei ela ficar mesmo contra a vontade do meu marido. Dei a ela o nome de Nina. Um mês depois apareceu outra, que se plantou enfrente meu portão e não saia de lá por nada. Muito bem, deixei entrar também (Yena).
     Um tempo depois, comprando ração em uma loja próxima a minha casa, conheci uma linda Dogue Alemã que estava a venda em uma jaula minúscula. Quando olhei pra ela tive a impressão que ela me implorava para tira-la de lá.
     Até meu marido se sensibilizou e nós a compramos (Drika).
     Algum tempo depois... mais um amiguinho da rua, Binho. Bem, um macho entre tantas fêmeas não deu outra... uma ninhada de 9. Doei apenas dois, fiquei com os demais.
     Estão comigo até hoje. Depois disso vieram outras ninhadas, os machos aqui saõ impossíveis, até que consegui castrar todas as fêmeas.
     No ano passado perdi a Yena e o Binho. Dói lembrar! A Yena fugiu pela grade a noite, comeu alguma coisa que não devia e morreu de envenenamento. Socorri, mas não deu. O Binho teve babesiose, fiz até transfusão de sangue mas não deu, perdi ele.
     Hoje estou com 9 (Drika, Nina, Rô, Blondy, Dolly, Zuzu, Max, Guga e José), se pudesse teria mais! Mas o quintal esta pequeno para tantos.
     Não sei o que me faz gostar tanto desses bichinhos. Talves o brilho nos olhos deles quando nos vêem chegar do trabalho. Eles latem, pulam, parecem que estão dizendo... "que legal, você chegou!!", ou talves a satisfação de brincar com a gente.
    Sei lá. É especial. Não sei como as pessoas tem coragem de muitas vezes maltratar um animalzinho destes na rua ou, muitas vezes, até em casa. Eles são puro carinho. Eles querem apenas atenção e amor, como qualquer ser deste planeta. Quando vejo cães de rua por aí tenho uma vontade louca de levá-los pra casa, mas ainda não dá. Quem sabe, um dia, eu consiga um lugar bem grandão pra levar todos eles e poder sentir aquele brilho gostoso de satisfação e alegria nos olhos deles.

Vanderli
13 de Janeiro de 2001




     Vou relatar a história da minha cachorrinha Maisha, SRD, resgatada por mim, da rua, a beira da morte, há uns dois anos.
     Estava eu em minha casa, quando um colega me chamou prá me mostrar a cadelinha que ele estava alimentando. Me doeu o coração mas como ela já estava sendo alimentada, não me preocupei tanto pois meu colega, dizendo que adorava animais, achei que iria recolher o bichinho.
      Pois bem, 4 dias após, saindo para o banco, vi a cachorrinha deitada no pé do meu muro. Na fila do banco, quando caia um toró daqueles que só quem mora em SP conhece, me preocupei com a cachorrinha. Quando cheguei em casa, a vi no mesmo lugar, ensopada, os outros cachorros a estavam mordendo, para obriga-la a levantar, pois estava no cio. A pobrezinha estava tão mal que não tinha forças prá reagir.
     Aos prantos, peguei o bichinho e a coloquei dentro de uma cobertinha aqui em casa. Dei comida na boca, pois não tinha forças prá comer, dei água e fui correr a vizinhança para tentar achar um lar prá aquela alminha sofredora. Nada. Várias casas com espaço, sem animais se recusaram terminantemente a recolher uma "vira-latas de rua", como diziam. Coloquei anúncio da UIPA, nos jornais e nada.
      Eu já tinha um Pastor Alemão, o Marki, que sempre me deu muito trabalho e não aceita outros animais em casa. O Marki sempre teve problemas de saúde e sempre tive muita despesa com ele. Não sou rica, tenho que trabalhar prá viver e todos sabem que animais prá serem bem tratados, tem que se dispor de uma quantia razoável por mês.
     Pois bem, deixar a cachorrinha sem lar, eu não podia. Pedi a Deus que me ajudasse, pois seria uma batalha, a cachorrinha não andava.... a peguei, levei ao veterinário. Ele constatou que ela não andava por causa de descalcificação e desnutrição. Dei cálcio, fosfato, vitaminas, reforço de alimentação, e o mais importante..."carinho e atenção".
     Hoje, aqueles mesmos vizinhos que a desprezaram, se arrependeram. Quando saio com ela à rua dizem que se soubessem que ela ficaria tão linda a teriam recolhido. Ora, estas pessoas, se assim posso chamá-las, acham que cachorros ficam bonitos só de olhar prá eles? Eu que sei tantas noites sem dormir prá dar remédio na hora certa. Tantas viagens ou compromissos adiados para cuidar da pobrezinha, e quanto dinheiro gasto com remédios e médico. Hoje é compensador ve-la aqui do meu ladinho me acariciando com aquela carinha de eterna gratidão.
     No começo fiquei meio assustada, por assumir tamanha responsabilidade de mais um cachorro, o medo de não dar conta, de não ter grana prás despesas, mas Deus foi tão bom que nunca faltou nada e graças a ele meus dois amores estão aqui firmes e fortes e agradeço todos os dias por esta cachorrinha ter cruzado o meu caminho.

Rosemeire
29 de Dezembro de 2000




     Meu nome é Cristiane. Tenho vinte e sete anos e há dois moro sozinha em Porto Alegre, onde tento me estabelecer como advogada. Há dois anos também (pois o fato coincidiu exatamente com a partida de minha irmã, que vivia comigo) adotei uma cachorrinha adorável, a quem chamo, com justiça de "minha dama de companhia". Chama-se Kika, e meu ex-namorado, que a batizou, disse que o nome significa "querida".
     A princípio, quando recolhi Kika da rua, onde vivia coberta de bichos por dentro e por fora (ou seja, tinha sarna e vermes) não tinha a intenção ou meios de ficar com ela. Eu morava em um apartamento alugado, e achava que meus pais, que pagavam o aluguel, não me permitiriam ficar com o animalzinho. Era ainda um filhote, sapeca e barulhento. Meu namorado na época resolveu adotá-la, como presente para o irmãozinho de nove anos, mas a mãe de ambos não gostou da cachorrinha e vivia falando em livrar-se dela, doando-a a estranhos ou entregando-a a alguma entidade. Quando nem a criança manifestou o desejo de manter a pobrezinha, peguei-a de volta. A essa altura, indignada, resolvi adotá-la eu mesma.
     Kika me tem dado muitas alegrias, e também alguns aborrecimentos sérios; quando meu pai presenteou-me com um belo apartamento, por exemplo, quase fomos expulsas do prédio por vizinhos indignados, e justamente, diga-se de passagem, pois a danada latia feito louca quando eu saía e não tornava a calar-se até que eu voltasse - eram horas de escândalo, às vezes! Ela sentia-se sozinha. O problema tornou-se tão grave que Kika foi parar num adestrador. Ficou mais de um mês num canil, aprendendo a ser educada. E, quando voltou para casa, achou uma companheirinha esperando-a, para que não ficasse mais sozinha quando eu saísse. Era uma linda bolinha prateada com lindíssimos olhos amarelo-esverdeados e que ronronava satisfeita quando a acariciávamos; era uma gatinha vira-lata, também recolhida da rua (pelo mesmo moço que adestrara Kika, aliás, e que gentilmente ma doara), mas que andava pela casa com uma pose de fazer inveja à falecida Princesa de Gales! E esse foi o fim das crises histéricas da Kika.
     Isso é tudo. Neste momento, enquanto escrevo, as duas estão deitadas lado a lado, no sofá. São doces e meigas como dois anjos. A única coisa que me entristece é saber que ainda existem tantos animais tão maravilhosos e cheios de amor a oferecer, abandonados pelas ruas, e não poder adotá-los por falta de espaço.

Cristiane Vieira Vilarino
05 de Dezembro de 2000




     Sempre fui apaixonada por bichos, em especial os cachorros. Um dia estava trabalhando quando vimos na rua uma cachorrinha que de tanta sarna não tinha nenhum pelo, estava cheia de machucados e ferimentos. Mancava muito e de tão magra podia-se contar quantos ossos ela tinha.
     No mesmo instante corremos para pega-la, levamos a veterinária que de forma muito franca disse que pelo estado em que a cachorrinha se encontrava não tinha muitas chances de sobreviver. Cuidamos dela no intuíto de arrumar um dono, pois já temos outros cachorros e não tinhamos espaço físico para cuidar de mais um.
     Foi impssível, a "LUA" com seu amor nos cativou de tal forma que ficamos todos enlouquecidos por ela. Já faz quase dois anos que ela está alegrando nossas vidas. Hoje ela é o mascote da nossa Auto-Escola conhecidissíma e adorada por todos.
     A 'LUA" vive agora saudável, sem fome, sem passar frio e com muito, muito, muito, muito amor.

Andresa Peres
02 de Dezembro de 2000




     Adotei uma cadela a uns cinco anos e não me arrependo. Ela é muito dócil e companheira, quando à peguei ela estava prenha e teve cinco lindos filhotinhos que tive que doar.
     Por mim eu pegaria todos os cães da rua, pois amo os animais e tenho muita dó destes animais abandonados, sem ninguém para dar carinho e amor para eles.
     Acho que todos deveriam adotar um cãozinho.

Eliane
06 de Novembro de 2000




Amigos,
     Estava precisando de companhia, meu marido resolveu ir morar sozinho e minha filha é muito pequena. Comecei a procurar na internet, sites sobre cães, para conseguir achar alguém que me doasse um bom cão.
     Após vários contatos e alguns desencontros, uma senhora ligou dizendo que, próximo ao metrô Conceição, numa pracinha, havia uma pobre pastora alemã, magra, suja e sendo apedrejada por moleques. Estava amarrada a uma árvore, e essa senhora levava água e comida a ela, todos os dias.
     Mas a Lola, como agora ela se chama, desenvolveu-se pouco, talvez por ter sido abandonada há muito tempo e ter passado fome, e ainda é muito magra. Entretanto, coloquei-a no carro, levei-a pra casa, dei banho e vacinas, e muita alimentação. Hoje, um mês e meio depois Lola é uma grande amiga, embora muito triste (talvez pelos maltratos que sofreu), mas muito bem cuidada.
     Gostaria de arranjar uma amiga para a Lola, outra pastora alemã, de idade aproximada da sua. Quem sabe? Quem souber de alguma, me avise, irei buscar com alegria. Faça como eu, adote um cão de rua! Eles são os mais bem agradecidos e os mais carinhosos cães! Lola foi um presente.

Eliana Azevedo
10 de Outubro de 2000




     Bem, eu sempre gostei de cachorros independente da raça. Em dezembro de 1999, dia 30, estávamos em Santos/SP e eu fui dar uma volta na praia quando avistei uma molecada com um filhote sem raça definida. Eles tacavam areia no bichinho e jogavam de um para o outro... até que um disse que iria afogar pq era fêmea.
     Eu não podia ver aquilo em silêncio, o cãozinho não tinha nem 2 meses, fui lá e perguntei aonde tinham encontrado, disseram que ela caminhava em uma rua perto do porto, dai eu menti que ela era minha, que eu havia perdido. Graças a Deus eles acreditaram... eu já tinha o Floquinho mas foi amor a primeira vista. A levei em um veterinário de lá, que nem cobrou a consulta, ele deu vermífugo e limpou a orelhinha...chutou uns 50 dias.
Nina      Chegando em SP, levei a Nina ao veterinário, ela tomou as vacinas e sempre comeu ração importada... é um doce de cachorra... incapaz de ferir alguém. E eu a amo muito.
     Esta foto eu tirei dela na páscoa deste ano :-)
     Ela não é linda? E tem mais, ela toma conta dos meus canários e se dá super bem com o Floquinho e a Shiva (casal de terrier Brasileiro).
Ruth Madeu
08 de Outubro de 2000




     Eu tinha uns 7 ou 8 anos quando eu fui sair pra brincar na rua e vi uma simpatica cachorrinha de porte grande de um ano mais ou menos, foi amor a primeira vista.
     Ela perceguia todo mundo na rua e todos levantavam a mão para espanta-la, corri pra dentro de casa e voltei com a mão cheia de ração, aí ela não saiu mais da frente de casa. As outras cachorras (devia ter umas 5 na época, todas mestiças e vira-latas) acabaram aceitando ela.
     Começou a chover e ela não saía da frente de casa. Comecei a chorar, chorei tanto, que minha mãe pois ela pra dentro de casa, com a condição de solta-la ao amanhecer.
     Ela nunca mais saiu da frente de casa, levava meu pai que ia a pé ao trabalho, deixava ele na frente da empresa e voltava pra casa, cuidava de mim quando eu saia pra brincar na rua, porque eu era meio rueira naquela época e em troca minha mãe deixava ela entrar à noite, pra comer e dormir quentinha com as outras cachorras.
Bruxa e Pololóca     Foi conquistando aos poucos todos aqui de casa, até que entrou definitivamente em casa.
     Hoje eu tenho 15 anos, ela deve ter uns 8 ou 9 anos, a chamamos carinhosamente de Bruxa. Ela é a cachorra mais obediente que eu ja tive e eu a tirei da rua. Tenho atualmente 7 cachorras, todas mestiças e vira-latas.
     Mando uma foto dela e de sua filha Pololóca (a menorzinha, que já é adulta na foto)



Ana Cláudia
26 de Setembro de 2000




     Meu nome é Sandra e já adotei vários cães de rua, todos só me trouxeram bastante felicidades, mas vou falar sobre uma que realmente conquistou meu coração.
     Sou professora e tive um stress muito forte, depressão, pois passava muito nervoso em sala de aula, não me sentia bem, vivia cansada, batimentos cardíacos acelerados, suores frios. Foi quando apareceu em frente a minha casa uma cachorra muito brincalhona, se dava bem com todos os vizinhos, eu já tinha um cachorro e não pretendia adotar mais um.
     Comecei alimentar a cachorra na rua. Ela tinha vários nomes estranhos por sinal "Trinta", Fabinho, etc. Ela vivia muito bem até entrar no cio. Numa manhã acordei e ela não estava na rua, fiquei preocupada, comecei a procurá-la e nada, 1, 2, 3 dias, fui áté a carrocinha e não a encontrei, comecei a piorar da depressão, vivia muito triste, não queria saber de nada.
     Numa noite pedi com muita fé ao meu anjo da guarda p/ traze-la de volta e, chorando, adormeci. No dia seguinte, fui acordada pelo meu pai dizendo que a cachorra tinha voltado, chorando agradeci ao meu anjo da guarda e fui vê-la, ela voltou machucada e prenha. Mais do que depressa a recolhi, curei seus ferimentos e, aos poucos ia notando que minha saúde melhorava. Ela deu cria a 8 cachorrinhos, muito bonitinhos que doei para os vizinhos.
     A Trinta, nome escolhido entre os outros, só me trouxe alegrias e saúde, sarei de todos os sintomas do stress, e hoje ela ainda está comigo. Foi uma cachorra sempre saudável e continua brincalhona apesar da idade.
     Com este depoimento, gostaria de pedir para as pessoas adotarem um cachorro de rua, os vira-latas são saudáveis, não precisam ir tanto a veterinários como os de raça, só precisam das vacinas, claro. E por favor venho pedir p/ que as pessoas não abandonarem seus animais, pois eles como nós passam fome, frio, sede, e principalmente sentem muita falta de seus donos.

Sandra
16 de Setembro de 2000






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