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![]() ![]() Depoimentos: Sou arquiteta e "mãe" de duas labradoras lindas e queridas. Dia 23 de setembro último fui fazer uma vistoria em um edifício abandonado, numa área não menos abandonada de Campo Grande. Depois de vistoriar o prédio, tirar fotos e fazer as devidas anotações, percebi uma coisinha parda se bamboleando alegre aos meus pés. Abaixei para entender aquela criatura vinda de lugar nenhum, que escolhia a mim - entre três outras pessoas que realizavam a vistoria - para demonstrar uma carinho que também parecia brotar desse lugar nenhum. Me escolheu, esta danadinha (a esta altura eu já havia feito alguma investigações acerca da minha instantânea amiga) porque leu meus pensamentos e sabe muito bem o quanto eu gosto de tudo o que é vivo, pensei. Em volta havia um canteiro de obras quase tão ermo e desértico quanto toda a região. Ali, um funcionário da obra me falou que havia visto aquela cachorrinha fuçando o lixo. Minha mão foi mais rápida que qualquer pensamento e, antes que tivesse me dado conta, eu já estava levando comigo a mais nova integrante da minha família.
Flô, resolvi chamá-la. Porqueminha amiga florescia em terreno árido e merecia a categoria de
florescência e esplendor. Não importava quão magra e suja parecesse. Levei-a ao pet shop e ao veterinário. Primeiro
para um banho e depois para um check-up. Flô tinha aproximadamente 3 meses e pesava 3 quilos e imagino que,
desses 3 quilos, algumas dezenas de gramas fossem a bagagem de carrapatos que levava. O check-up médico não
indicou doença, além da subnutrição. Viemos pra casa equipadas de vitaminas e ração infantil. Pra minha surpresa,
depois do ciuminho inicial, Flô foi amplamente aceita pelo resto da família que possui rabos. Hoje, dia 26 de outubro, Flô pesa 6 quilos, duas vezes o tamanho que tinha quando chegou, não tem mais carrapatos, me incorporou no seu círculo de amizades e me olha com o mais profundo amor (ai, e me morde as mãos!). E eu a olho de volta, caninamente, como se tivesse sido eu a criatura resgatada do lixo e envolta em carinhos e atenções. Luciana Grisolli 26 de Outubro de 2002 Olá, sou a Silvana de Curitiba e tenho 3 caes. A Brisa e a Mel mini poodles e o Fofo que é o foco do meu relato. Nunca havia pensado em ter um vira-lata apesar de já ter ajudado muitos, inclusive conseguindo lares para os que eu cuidava.
Um belo dia, duas cadelas que eu cuidava tiveram cria, alguns filhotes morreram,
outros eu consegui doar, porém tinha um em especial que começou a chamar a minha atenção.Todas as vezes que eu entrava no canil para levar ração e leite, todos os outros cães iam comer, menos esse. Ele ficava em volta de mim e se eu me abaixasse ele vinha me escalando. Bom, comecei a tira-lo do canil e quando ia visitar alguém sempre levava ele junto, as vezes ele dormia na minha casa e eu já tinha conseguido uma amiga que queria ficar com ele. Aos 3 meses de idade, chegou o dia de entregá-lo porém não consegui... ele me olhava com aquele jeitinho tão meigo, tão amoroso, desandei a chorar e fiquei devendo um auau pra minha amiga. Hoje ele está muito lindo, com 2 anos e 4 meses e é a nossa paixão. Extremamente inteligente, sabe comandos básicos sem nunca ter sido adestrado. Bom, essa é a história do Fofo. Silvana 10 de Outubro de 2002 Jade é a típica cachorrinha horrível, destas que te chamam a atenção pela feiura, ela é uma mistura de rato com morcego em forma de cachorro! Ou seja, ou você olha e se assusta ou olha com pena. O rosto dela é normal mas ela tem as pernas de trás atrofiadas, ela não consegue caminhar normalmente como os outros dogs, mas isto pra ela não faz diferença, se fez alguma vez não sei, pois já a conheci assim, então quando ela caminha ela meio que arrasta as de trás e quando corre – sinceramente não sei como consegue, ela levanta as duas de trás e corre somente com as duas da frente! Poderia ganhar dinheiro no circo, mas é óbvio que ela só faz isto quando quer... Segundo nossa veterinária preferida – Lu – ela teve problemas de descalcificação óssea e ficou assim. Jade morava numa parada de ônibus, no final da linha, onde eu a vi muitas vezes enquanto esperava o meu ônibus, mas ela estava sempre deitada dormindo, então nunca havia notado nenhuma anormalidade, até que um dia quando o ônibus estava saindo a vi caminhando, mas foi rápido e vi de longe, morri de pena, achei que ela não tinha as pernas de trás. Depois em outras ocasiões tentei fazer amizade, mas ela não era sociável, aliás ela era de poucos amigos mesmo. Não gostava muito que chegassem perto dela. Acredito que era por ter sido muito “apedrejada”, pois geralmente é isto que cachorro de rua recebe: pedras! Mas... depois de alguns dias me vendo, eu já era familiar à ela, ganhei confiança e Jade já me dava atenção. Algumas vezes que tentei ver a perna dela, pensava que estivesse quebrada, ela gritou e tentou me morder, era a defesa que ela tinha com os poucos dentes que lhe restavam na boca. Sempre vi ração e um potinho de água na parada, ou seja: tinha mais gente legal por perto! Porém, percebi que o “cio” estava chegando... e em 08/02/02 Jade foi se hospedar na Dog’s Pensão lá de casa, pensei que eu seria expulsa, mas ainda não foi desta vez! (todos lá de casa adoram cachorros) mas minha mãe não agüenta mais tanto “recolhimento”, afinal não moro no canil municipal! O “resguardo” se prolongou por quase 3 semanas, depois disto a nossa Vet Luciana esterilizou Jade. Como Jade era paciente do SUS, ela recebeu a doação do anestésico da Tia Katja, uma pessoinha humana que também ajuda nossos amigos de quatro patas, o frasco que a princípio seria destinado para Bella (outra paciente do SUS), serviu para castrar Jade e Mel! Apesar de Bella também fazer parte de outra história, adianto-lhes que ela acertou na loteria, mora numa casa de família com pessoas que a amam muito. Jade foi uma paciente rebelde, não queria remédios, não queria injeções, um stress! Além do fato que depois dos 15 dias de pós operatório a ordem era de RUA, chega de cachorros nesta casa! – Palavras de minha mãe.
Jade, apesar de temperamental, foi conquistando a família e a ordem de despejo adiada,
adiada, adiada... e pelo jeito suspensa, pois sua casinha nova também foi encomendada, ou seja: - “Adeus parada
de ônibus”! Ela come duas vezes por dia, comida especial, pois além de pobre tem o estômago sensível! Toma
banho uma vez por semana, pois nesta época aqui no Sul já está ficando frio e desde Fevereiro mora dentro de
casa. (Não é brinquedo não!) Minha mãe tinha medo de deixá-la no pátio com os outros, pois o fato dela ser
“deficiente” os outros dogs maiores poderiam machucá-la, o que eu acho difícil, pois Jade sabe se defender muito
bem, até quando fui pegá-la no final da linha do ônibus, numa Sexta-feira de noite, ela tentou me morder! Se ela
adivinhasse o que teria perdido caso eu me irritasse com a mordida e a deixasse por lá mesmo...Gostaria de agradecer de coração a todos que ajudaram para o final feliz desta história, com certeza sem o carinho e a dedicação de todos a Jade não teria conseguido “chegar onde chegou” com um lar agora e morando com pessoas que gostam muito dela. Ela tem uma vida feliz, e sabe disto:>) Janaína Moreira 14 de Setembro de 2002 (escrito em Maio/2002) Meu nome é Gina, fui achada na rua numa manhã de inverno no Rio Grande do Sul, exatamente na cidade de Novo Hamburgo, bem assim como me vêm, cheia de Sarna, com Muita Fome, Frio e Sedenta de Carinho. Estava toda enrolada e atirada na grama após uma interminável noite de chuva; quando fui encontrada perto das 6:30 hs. pensaram que estava morta, me tocaram e alí me mexí um pouco. Logo me colocaram nesta caixinha de papelão recheada de Tecidos com Pêlo ou Lã de Ovelha para me aquecer e logo me trouxeram Leite morno e comida. Por alguns dias morei assim, dentro da caixinha e com um teto improvisado por uma lona para não me molhar com a chuva nem com o sereno. No terceiro dia quando eu estava mais forte começou a Tortura, meu Amo trazia um Spray duas ou três veces ao dia e me molhava toda, minhas feridas ardiam um pouco no início mas após alguns minutos minha coceira passava e já não tinha ardência nas feridas que me fiz com as unhas por causa da coceira. Logo mais uns dias e trocaram minha caixinha por uma casinha de madeira com telhado de barro que tenho até hoje, mas pouco a utilizo, apenas quando meu Amo não está em casa, pois ele estando lá prefiro o Sofá. Aqui é muito bom, o meu Amigo Tupy é muito legal, divide tudo comigo, ele têm 11 anos e eu quase 4, tal vez seja por eu ser a caçula que ele é tão querido comigo mesmo quando eu por ciumes brigo com ele, ele nunca briga comigo. Se o dia é muito frio e o Amo não está em casa, aproveito para ir e deitar junto na casinha dele. Sou muito bem tratada, só não gosto quando de dez em dez dias mais ou menos, me dão banho, a cada seis meses me enfiam remédio para os vermes e uma vez ao ano me enchem de injeções. Fora estes momentos que nenhum de nos dois gostamos, nosso Amo nos deixa fazer de tudo, nos leva para passear ao Exterior e pelo Brasil também, temos muita, muita sorte. Hoje sou assim, bastante diferente não é? Tenho muita saúde e muito Amor no meu Lar, até o nosso Amo tirou umas fotos de Estúdio que me transformaram em Estrela do Site, vejam abaixo uma muito legal com o Tupy: Espero que muitos outros vira-latas como Eu e o Tupy, tenham o mesmo destino. Adotem, Adotem cãozinhos vira-lata, de raça com e sem Pedigree, mas o que importa é que dêm Carinho, Atenção, Cuidados e que nunca os Abandonem, somos uma boa companhia, vocês não irão se arrepender!!!. Ricardo Bianchi 28 de Fevereiro de 2002 Semana passada eu perdi um grande e velho amigo. Eu o conheci quando comecei a faculdade. Ele morava na república em que eu fui morar. Não tinha uma orelha e não tinha um dedo, fruto das brigas que arrumou pela rua, pois a casa era aberta e ele andava por onde queria. Quando eu o conheci, diziam que ele já tinha uns 10 anos. Era um amigão, então, quando eu me mudei de lá claro, levei-o comigo. Desde então, passou a defender nossa casa, como um segurança profissional, de eu ter até que prende-lo para as pessoas entrarem. E eu podia entender o que ele dizia: "quem é vc que está querendo entrar na minha casa!!! Pois agora eu tenho casa e família!" E assim vivemos muitos anos felizes. Mas a velhice chega e não temos como lutar contra ela então eu perdi o meu Cachorrão, um grande amigo. Sabe, eu contei isso pois tenho lido a respeito da preferência por cães filhotes e de raça. Sabe gente, se vc tira um cão das ruas, dá saúde e amor e abrigo, ele vai te ser fiel como se vc o pegasse filhotinho. Eu já tive essa experiência muitas vezes e posso garantir que a amizade e o amor são enormes, não importando se animal é adulto ou filhote, se é de raça ou não. Deixo aqui o meu adeus e minhas saudades do "meu gorducho", que mesmo em orelha, sem dedo, sem olho, era cão mais lindo, mais fofinho e mais fiel que eu já conheci. Acho que todo mundo deveria experimentar esse tipo de amor, infelizmente a maioria das pessoas, não está procurando um amigo, e sim um adorno. Hélia 14 de Dezembro de 2001 Pipoca apareceu em nossas vidas de uma forma estranha: meu irmãozinho sofrera um acidente e estava há quase um mês no hospital. Inconsolável, tendo que superar dores e deformidades, passava os dias olhando a televisão sem nenhum sinal de melhora. Foi então que meu pai encontrou na rua uma cadela com três filhotes. Pegou um e largou-o em um tio, enquanto permanecia no hospital. Desavisado, meu tio colocou o cãozinho por baixo do portão de nossa casa. Na época, tinhamos uma linda cadela pastor alemão que, rapidamente, matou o animalzinho. Isso aconteceu num Domingo. Meu pai foi ao hospital e contou para meu irmãozinho que havia encontrado um filhotinho macho e preto para ele. Prometeu leva-lo no mesmo dia. Só que, ao retornar para casa, encontrou o animalzinho morto. Procuramos no jornal, telefonamos para todos que anunciavam cachorrinhos, fosse de que raça, de qualquer preço. Mas o destino não queria assim, não havia um único à venda. Todos haviam sido comprados um pouco antes. Todos! Resolvemos, então, ir aos veterinários. Batemos às portas e ninguém sabia onde conseguir um filhotinho. Até que um nos indicou uma padaria, onde uma cadelinha havia sido recolhida ao dar a luz. Chegamos e o único que ainda havia era Pipoca. Branquinha como uma pipoca, minúscula e com os olhos de mel mais doces que já vi em toda minha vida. Pipoca foi ao hospital conhecer meu irmãozinho e lhe trouxe o sorriso e a esperança, novamente. O menino melhorou, Pipoca cresceu e, com o tempo, mostrou-se mais inteligente do que o normal. Entendia tudo, parecia perceber a diferença entre o certo e o errado e, por incrível que possa parecer, nunca foi necessário castiga-la. Pipoca salvou-me a vida, certa vez. Um revólver engatilhado e a ameaça de morte foram cortadas com a entrada dela, latindo furiosa, avançando em meu agressor. Que, estranhamente, desistiu da façanha. Devo a pequena cachorrinha amarelada, minha vida. Pipoca morreu já fazem quatorze anos. Lembro-me de sua despedida, olhar de partida, companheira pela eternidade. Chorei mais por ela do que pela maioria dos humanos que conheci. Pipoca partiu como partem os anjos: com o silêncio dos que acreditam e perdoam... Tive outros cachorros em minha vida. A partir dela, aprendi a adotar cãozinhos vira-latas, a cuidar deles como ela cuidou de nós. Outro dia, vinha da padaria com uma sacola de pães e encontrei na rua, perdida, uma criatura com olhos cor de mel e pelo branco que me lembrou alguém. Convidei-a a me acompanhar e ela veio para minha casa, participando de nossa vida, iluminando nossa estrada. Não sei se Pipoca voltou no corpo de Branca Leone ou se essa, ao saber de minhas dificuldades, resolveu mandá-la para ajudar-nos. Mas sei que os olhos das duas trazem o mesmo brilho de fé e compreensão que me deixam perplexa. Pipoca não era um cão: era um anjo que durante dez anos viveu na terra! À todos os que sabem ver através dos olhos que tipo de alma reside em cada corpo... Mairy Sarmanho 12 de Dezembro de 2001 |